Gente grande que leva aviões de papel a sério

Competição mundial reúne os melhores ?construtores? desses brinquedinhos

Mônica Cardoso, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

Atire a primeira bola de papel quem nunca brincou de arremessar aviõezinhos nos tempos de escola. A brincadeira se transformou na competição mundial Red Bull Paper Wings, que deve reunir mais de 250 universitários de 85 países, em Salzburgo, na Áustria. São três categorias: distância, tempo de voo e acrobacias. Na primeira edição, também na Europa, em 2006, o brasileiro Diniz Nunes, de 27 anos, conquistou o ouro na categoria tempo de voo. As classificatórias brasileiras ocorrem em oito universidades em São Paulo, Rio, Pernambuco, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. A etapa paulistana ocorre hoje, ao meio-dia, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e o campeonato segue as regras internacionais estabelecidas pela Paper Aircraft Association (PAA).Nas classes distância e tempo de voo, os aviões são construídos no local, com uma folha padrão A4. A folha só pode ser dobrada - não é permitido rasgar, colar, cortar ou grampear. Já na seletiva de voo acrobático, é possível escolher a qualidade e o tamanho do papel e até levar aviões pré-construídos. O brasileiro Diniz Nunes participou da competição por acaso. "No começo, treinava por brincadeira. Mas, quando ganhei as etapas regional e brasileira, comecei a levar a sério e gastei muitas folhas", conta o engenheiro mecânico formado pelo Mackenzie. Ele aplicou alguns conceitos do curso superior, como aerodinâmica e distribuição do peso, para fazer o avião.Para aumentar o tempo de voo, Nunes revela que o segredo é fazer asas grandes. Outra dica é o arremesso: para cima e o mais alto possível. Como prêmio, ele ganhou um passeio em um avião de caça pelos Alpes por meia hora. O piloto voou de lado, fez círculos, rasantes de ponta-cabeça e até o deixou pilotar. "É muito rápido. Passamos por uma nuvem em um segundo. Parecia um tiro." Na Áustria, Nunes também competiu na categoria distância. Para ele, o ideal é fazer um avião bem pequeno. "Consegui fazer do tamanho da minha mão e ele voou por 30 metros. Mas o vencedor desenvolveu um bem menor, que alcançou 60 metros", conta.Outro brasileiro, o estudante de Engenharia Mecânica Ricardo Miyamoto, de 29 anos, ganhou o bronze nas acrobacias. A dica, segundo ele, é usar papel cartão, que garante rigidez ao avião. "Apesar de não ter restrição, eu só dobrei e colei o papel. Tenho facilidade com dobraduras porque faço origamis desde criança", conta o ex-aluno da Unicamp, hoje matriculado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele construiu um avião com uma asa grande, em forma de gota e inclinada. Nas acrobacias, Miyamoto conseguiu um looping (círculo completo) e um loll (o avião roda sobre o próprio eixo, numa espiral). Além do treino e um bom arremesso, os brasileiros garantem: a diversão é a melhor parte do campeonato.

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