Geraldo Holanda Cavalcanti na ABL

Com 20 votos dos 38 válidos, diplomata derrotou o ministro Eros Grau, do STF

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

RIO

O diplomata e escritor Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito ontem o novo ocupante da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras. Com 20 votos dos 38 válidos, ele derrotou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau, que recebeu 10 votos. Também concorriam o diretor da Biblioteca Nacional, Muniz Sodré (8 votos), e o compositor Martinho da Vila (que não obteve nenhum voto).

Eros Grau e Muniz Sodré se empenharam bastante na tentativa de serem eleitos, mas acabaram superados por Holanda Cavalcanti, que fez campanha discreta. "Estou muito feliz. Este é um momento importante na vida de um escritor. Sempre procurei valorizar a língua portuguesa e agora me sentia no direito de me candidatar", disse o novo imortal, pouco depois de o resultado ser anunciado.

A cadeira 29 pertenceu ao teatrólogo Artur Azevedo, quando a ABL foi criada, em 1897. O último ocupante foi o bibliófilo José Mindlin, que morreu, aos 95 anos, em fevereiro. Desde então começou a especulação com relação à sucessão.

O embaixador já era dado como preferido dos acadêmicos assim que a cadeira foi declarada vaga, mas nunca deu declarações comentando o favoritismo. Ontem, um dos que mais comemoraram foi Eduardo Portella, seu amigo desde a adolescência. "Ele sempre foi de grande fidelidade. Nós nos conhecemos na faculdade de direito. Eu editei seu primeiro livro", disse Portella.

A escritora Ana Maria Machado, secretária-geral da ABL e presidente interina (Marcus Vilaça está de licença médica), classificou o diplomata como "um intelectual de primeira de ordem". Ela disse não estranhar o fato de Martinho da Vila não ter recebido um voto sequer. "Ele decidiu não fazer campanha", justificou.

Holanda Cavalcanti nasceu em Recife e tem 81 anos. Formado em direito, é poeta e ficcionista e foi premiado por suas traduções de autores italianos do século 20, além de obras em espanhol. Diplomata por mais de 40 anos, serviu nas Américas e na Europa, tendo sido embaixador no México, na Unesco e na União Europeia.

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