Gerdau elogia ''faxina'': Dilma está no caminho certo

Ex-presidente Lula minimiza saída de 4 ministros em oito meses, também pede apoio à presidente e diz ser ''imbecilidade'' antecipar debate sobre 2014

Rosa Costa e Aline Reskalla, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

Com apoios reticentes na base aliada, a "faxina" da presidente Dilma Rousseff foi aplaudida ontem pelo coordenador da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade do governo, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter. Segundo ele, Dilma está "no caminho certo". Ele afirmou que a população - que chamou de "maioria silenciosa" - deve se manifestar apoiando o "esforço de Dilma nesse seu trabalho".

"A presidente está conseguindo ter a opinião pública a seu favor e isso é muito importante", disse Gerdau, que fora sondado por Dilma para integra o primeiro escalão. "No meu entender, ela está conduzindo o processo com habilidade", completou.

O empresário elogiou o procedimento da presidente, de deixar "os processos maturarem em função das próprias ações", antes de substituir os gestores suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção.

"É um tema tremendamente complexo, porque interfere nas estruturas políticas históricas", avaliou. "Mas como a responsabilidade é da presidente, ela tem de conduzir, reduzir ou limpar os processos incorretos e respeitar os trabalhos do Tribunal de Contas da União (TCU) que exigem medidas (do governo), pois é para isso que existem esses mecanismos", acrescentou.

Imbecilidade. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também convocou os aliados do governo a apoiarem a presidente Dilma, que enfrenta a quarta troca de ministros em oito meses de governo. Lula criticou movimentos no PT que o apontam como candidato em 2014. "É imbecilidade e loucura falar em 2014 agora, se nem chegamos em 2012 ainda. Só existe uma pessoa que pode chamar essa conversa e ter o direito legítimo de falar no assunto, que é a companheira Dilma", disse Lula, após almoço com petistas em Belo Horizonte.

O ex-presidente tratou como fato normal a queda do quarto ministro de Dilma, referindo-se à demissão de Wagner Rossi da Agricultura. "A gente não tem que preocupar se sai um ou dois ministros", disse. "Nós temos que ajudar a presidente Dilma a transformar o Brasil na quinta economia do mundo", afirmou.

Sem falar diretamente sobre a crise política que afeta o governo, o Lula disse ter ficado feliz ao saber que a presidente Dilma almoçou com ministros, numa referência à insatisfação dos aliados com a falta de traquejo político e com o estilo centralizador da presidente.

Lula enfatizou que não é possível governar sem alianças, e que esse é um trabalho que exige sensibilidade, costura e um exercício de democracia "24 horas por dia".

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