Gesso despenca de teto da Universal

Cerca de 200 fiéis participavam de culto, mas ninguém ficou ferido; templo religioso recebeu auto de interdição

Tatiana Fávaro, Mariana Faraco e William Glauber, O Estadao de S.Paulo

05 Fevereiro 2009 | 00h00

Ao menos 200 pessoas acompanhavam um culto na Igreja Universal do Reino de Deus, localizada na Avenida João Jorge, uma das principais vias de Campinas (a 95 quilômetros de São Paulo), na noite de ontem, quando parte do acabamento do teto desabou. Ninguém ficou ferido, mas o local sofrerá interdição parcial. O problema ocorreu 18 dias depois do desabamento do telhado da sede da Igreja Renascer em Cristo em São Paulo, que deixou nove mulheres mortas e mais de cem feridos. Por volta das 19h40, o Corpo de Bombeiros recebeu um chamado de socorro e encaminhou duas equipes de resgate para o local. Segundo o coordenador regional da Defesa Civil em Campinas, Sidnei Furtado, de 10 a 12 placas de gesso se desprenderam do teto e caíram sobre a parte lateral interna do salão, que estava vazia. O ambiente principal tem capacidade para 4 mil pessoas. "Havia relativamente pouca gente, perto da capacidade." Houve gritaria e corre-corre. "Estava do lado de fora da igreja e comecei a ver o povo saindo, desesperado", disse a dona de casa Maria de Fátima Cristóvão, que esperava o ônibus na avenida. "Se a gente que estava aqui fora lembrou da história da Renascer, imagina quem estava lá dentro." Quem estava no templo confirmou o medo, mas não quis se identificar, como um microempresário de 36 anos que acompanhava o culto e disse apenas que "o susto foi geral". Houve tumulto no prédio - que tem amplo estacionamento no subsolo, lanchonete e banheiros, além das salas administrativas, espalhadas por 17.884 metros quadrados. Alguns fiéis que permaneceram no local após a chegada dos bombeiros disseram que não podiam falar com a imprensa. INTERDIÇÃO Parte da igreja foi interditada ainda ontem, após uma vistoria feita por duas equipes do Corpo de Bombeiros, por profissionais da Defesa Civil e por um engenheiro da Secretaria Municipal de Urbanismo. De acordo com a Defesa Civil, os responsáveis pela igreja terão de apresentar a documentação completa sobre o prédio na secretaria, responsável pela emissão de alvará de funcionamento, antes da liberação do templo. O engenheiro municipal visitou o lugar logo após o desabamento. As áreas onde as placas caíram já estavam interditadas pela brigada de incêndio da própria Universal. O especialista do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) reforçou a necessidade de isolamento e emitiu um auto de interdição do templo. A igreja, porém, não ficará totalmente fechada. Estão isoladas apenas as áreas onde houve o descolamento das placas de gesso do teto. De acordo com informações preliminares da Defesa Civil, algumas infiltrações no telhado podem ter provocado a queda. "O engenheiro da prefeitura ainda não sabe exatamente o que causou o desabamento", ressaltou Sidnei Furtado. Entretanto, um funcionário da Defesa Civil disse que o descolamento das placas pode ter sido causado por falta de manutenção no telhado da Universal. Mesmo sem a conclusão da perícia, o Corpo de Bombeiros considerou como possível agravante para a queda do gesso a forte chuva que caiu ontem à tarde em Campinas. FOTÓGRAFO DETIDO Além de impedir a entrada dos jornalistas na catedral de Campinas, funcionários da Universal mantiveram o fotógrafo Gustavo Magnusson, do jornal Correio Popular, dentro do templo para tentar retirar dele o material fotográfico conseguido. "Enquanto o povo saía, eu entrei fotografando. Alguns obreiros me levaram para um canto e me disseram que eu só sairia se apagasse as fotos. Eu simplesmente disse não, pois ali havia policiais e pessoas da Defesa Civil. Eu não estava sozinho." Mas o profissional só conseguiu deixar o templo após jornalistas entrarem em contato com a Polícia Civil. Uma equipe do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) teve de intervir para liberar o fotógrafo. Magnusson registrou boletim de ocorrência no 1º Distrito Policial do município. O pastor responsável pela catedral informou, por meio de funcionários, que não se pronunciaria sobre o caso. A reportagem do Estado ligou para vários números da Igreja Universal do Reino de Deus, mas só conseguiu contato com um líder religioso que estava fazendo o chamado plantão espiritual da Catedral João Dias, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. "Não estamos sabendo de nada", disse o pastor, que se identificou como Inácio.

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