Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

''Gestão competitiva'' começa pela Funasa

Ministro da Saúde discute com técnicos do grupo Gerdau iniciativas para tornar políticas do setor mais eficazes; Alvo seguinte será a Anvisa

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

A missão dada pela presidente Dilma Rousseff a seus ministros de importar para administração pública conceitos de governança do setor privado já tem primeiro alvo definido: a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Centro da disputa de poder entre PMDB e PT e de denúncias de corrupção, o órgão terá sua gestão remodelada a partir de uma consultoria realizada pela equipe do empresário Jorge Gerdau. Dilma quer que a iniciativa se estenda para diversas áreas do governo.

Gerdau deverá integrar o Fórum de Gestão Competitiva do governo federal. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi um dos primeiros a procurar o empresário para colocar a proposta em prática. A primeira reunião para discutir as mudanças ocorreu ontem, na sede da Funasa, com presença de Padilha e de representantes do empresário.

No encontro, foram definidas prioridades e estabelecidos prazos. O primeiro esboço do projeto deverá ser apresentado em 30 dias. Só então é que valores da consultoria serão discutidos. "A proposta é modernizar a administração e isso será feito a partir de metas e monitoramento. O que queremos é dar dinamismo e eficiência", afirmou Padilha.

Logística. Na Saúde, a consultoria não ficará restrita à Funasa. O projeto criará estratégias para melhorar as atividades do centro de controle de logística do ministério, responsável pela aquisição de medicamentos. A intenção, disse Padilha, é tornar as aquisições mais rápidas e evitar desperdícios.

Outro alvo eleito pelo ministro é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A encomenda feita para representantes do empresário é de políticas que garantam uma redução de prazo para registro de produtos, remédios e equipamentos usados em saúde, além de autorização para funcionamento de estabelecimentos como farmácias e hospitais. O ministro encomendou também um plano para melhorar os hospitais federais.

Padilha disse não haver nenhuma ligação entre a prioridade dada à Funasa e o fato de o órgão ser alvo constante de denúncias de corrupção. "A Funasa é uma das áreas prioritárias para execução do PAC. Daí a escolha da fundação. Queremos metas claras, prazos para execução", disse.

Desde que assumiu, o ministro despacha semanalmente no prédio da Funasa. Nesse período, afirmou, foram analisados e liberados R$ 79 milhões para convênios, que estavam pendentes. A quantia, segundo ele, equivale a 12% do que foi executado em 2010. A Funasa teria ainda um papel fundamental, de acordo com Padilha, na execução do PAC 2 e no plano de erradicação da miséria.

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