Gestão é vista com reservas por governos

Secretários municipal e estadual têm sérias restrições à direção do museu

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

21 de dezembro de 2007 | 00h00

É como numa partida de pingue-pongue: quanto mais se evidenciam os problemas de gestão do Masp, mais eles são minimizados pela instituição.O problema maior sempre é o da resistência que o Masp (instituição privada com acervo público, e cuja diretoria é escolhida pelos sócios da instituição) demonstra em abrir-se para a sociedade. Por exemplo: há anos não consegue mais a atenção do governo estadual.O maior problema é a insistência do presidente do museu, Júlio Neves, em se manter no cargo. Ele vai para 14 anos à frente da instituição e diz que só está nessa posição porque não há postulantes à vaga - mas sua reeleição contínua é muito criticada por conta do sistema pouco transparente.A mais ambiciosa proposta de Neves - a construção da Torre do Masp, no prédio vizinho ao museu, que garantiria uma fonte permanente de recursos - não vingou. O prédio vizinho está mais deteriorado que nunca e pode brevemente ser até condenado se não for utilizado.Segundo o atual secretário de Estado da Cultura, João Sayad, a secretaria "manteve negociações com a administração do museu tentando solucionar o problema financeiro", mas as "negociações foram malsucedidas e foram interrompidas no início do segundo semestre deste ano".O secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, também julga necessárias mudanças estruturais no museu para que ele readquira credibilidade.PREOCUPAÇÃO"O roubo desta madrugada aumenta a preocupação com o museu brasileiro que detém o acervo mais precioso talvez da América Latina e enfrenta problemas financeiros graves, além dos problemas de segurança que agora se tornaram evidentes", disse Sayad.Na época de sua maior crise, em maio de 2006, quando teve o fornecimento de energia elétrica cortado pela Eletropaulo, ficou-se sabendo que também o governo federal tentou negociar com o museu para que aceitasse abrir sua gestão para além das reuniões esporádicas e apressadas de seu conselho. Aquela crise, no entanto, também trouxe progressos. O maior deles foi a adoção de um curador profissional, José Roberto Teixeira Coelho. Uma das dívidas do Masp que está sendo contestada na Justiça é o débito com o INSS. O museu deve R$ 3,3 milhões.

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