Gestão em alta ''não quer dizer política em baixa''

A ênfase dada à gestão, aos detalhes do planejamento, tão ao gosto da nova presidente, "não significa que a política fique em baixa ou tenha menor peso no governo", lembra o cientista político Amaury de Souza, da MCM Consultoria. "Assim como a má gestão faz o eleitor perder o interesse por assuntos públicos, a boa gestão é o caminho para maior participação política", acrescenta. Na mesma linha, o professor Daniel Aarão Reis, que ensina História Contemporânea na UFF, do Rio, não aprova a separação entre política e gestão. "Política pura não existe", diz ele. "A gestão é condicionada politicamente, tem um significado." Um tema político, ressalta, será o desafio de Dilma para "amoldar sua vocação como gestora a uma base de apoio que não está acostumada a isso". E ela terá, em Lula, uma limitação e uma abertura, ao mesmo tempo, "e terá de usar as duas situações adequadamente".

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2011 | 00h00

Amaury de Souza prevê que aos poucos Dilma "vai cair na real diante de sérios problemas deixados por Lula na economia, na infraestrutura, e que ele ocultava com discursos palavrosos sobre tudo". Esses desafios "vão trazer de volta o bom debate".

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