Gesto de Alckmin e ação de aliados dão fôlego a Serra

''Se ele quiser ser presidente do PSDB, terá meu apoio', diz governador após crise aberta com moção da bancada a favor da reeleição de Guerra

Julia Duallibi, Christiane Samarco, Gustavo Uribe e Eduardo Kattah, O Estado de S.Paulo

28 Janeiro 2011 | 00h00

Aliados do ex-governador José Serra entraram em campo ontem para tentar neutralizar a moção aprovada por parlamentares tucanos que defendia a reeleição de Sérgio Guerra à presidência do PSDB. Numa ação articulada com serristas, o governador Geraldo Alckmin veio a público negar que apoiasse a manobra.

Logo pela manhã, Alckmin afirmou que apoiará Serra caso ele decida se candidatar à presidência do partido. "Nem sei se o Serra quer ser o presidente do partido, mas, se ele quiser, terá o meu integral apoio", afirmou. Segundo aliados, Serra gostaria de presidir o PSDB. O candidato derrotado ao Planalto, no entanto, não manifestou internamente o desejo de ocupar o cargo.

O documento defendendo a recondução de Guerra, assinado por 54 parlamentares tucanos anteontem, foi visto por serristas como uma articulação dos aliados do ex-governador Aécio Neves. Militantes ligados a ele recolheram as assinaturas. Alckmin também foi acusado de ter apoiado a articulação.

Aécio, que pretende disputar a Presidência em 2014, é entusiasta da manutenção de Guerra na presidência, como forma de evitar que Serra ocupe o cargo, no qual poderia articular a sua própria candidatura para 2014.

"Sérgio Guerra tentou criar um fato consumado e se desqualificou como presidente do partido. O papel dele é buscar a unidade para a luta externa. E não usar uma reunião de bancada para divisão interna", afirmou o deputado Jutahy Júnior (BA), aliado de Serra. "O documento é inócuo. Quem vai decidir o novo presidente serão os convencionais."

"A lista foi uma forma infeliz de buscar a presidência do partido. Mas a convenção de maio é que decidirá sobre a presidência", disse o ex-governador Aberto Goldman. "Além da lista não ter sido debatida internamente, acredito no bom entendimento entre Serra e Alckmin", afirmou o deputado Vaz de Lima, o único paulista que não assinou a lista.

Alckmin e Serra conversaram anteontem. Cogitou-se a divulgação de uma nota negando envolvimento do governador no apoio a Guerra, redigida pelo jornalista Márcio Aith, que atuou na comunicação da campanha de Serra e hoje trabalha com Alckmin no Bandeirantes..

Guerra avisou Alckmin da iniciativa antes da reunião da bancada, mas o governador não deu nenhuma orientação para os deputados paulistas, apesar de ter dito ao senador que achava muito cedo tratar daquele assunto.

"Não houve uma operação contra nem a favor de ninguém, muito menos contra Serra. Todos reconhecemos seu tamanho e sua importância política, sobretudo eu, que dediquei minha energia e até minha saúde na coordenação da campanha presidencial", disse Guerra.

Divisão. Apesar das declarações do governador, aliados de Alckmin estão divididos sobre o futuro da presidência do PSDB. Uma ala avalia que o melhor é defender a eleição de Serra para o cargo e intensificar laços políticos com ele. Assim o projeto eleitoral de Alckmin e Serra sairia fortalecido, numa dobradinha Presidência/governo paulista, que poderia ser encabeçada por qualquer um dos dois em 2014.

Para outro grupo, Serra na presidência do PSDB ficaria muito fortalecido, fazendo um contraponto ao poder de Alckmin em São Paulo. Citam que o governador defende para a presidência estadual do PSDB o Pedro Tobias. Mas que aliados de Serra querem Aloysio Nunes Ferreira.

"Será precipitado qualquer movimento para desautorizar a bancada. Sou Serra, mas quero Guerra na presidência", disse o deputado Eduardo Gomes (TO). Os mineiros tentaram desvincular a articulação de Aécio. "Não há razão para que um prejudique o outro no momento em que nos é exigido uma união familiar", amenizou o novo líder da minoria na Câmara, Paulo Abi-Ackel, aliado de Aécio. "Os mineiros respeitam Serra e reconhecem a importância do seu papel como representante do PSDB", reforçou.

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