Gestores negam acusações e atacam empresário

Em Marília, Taubaté e Carapicuíba, versão é que decisões são de gestão anterior ou que eles não atuaram nas licitações

Fausto Macedo, Marcelo Godoy, Ângela Lacerda, Ernesto Batista e Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2011 | 00h00

Políticos e empresários voltaram a negar as acusações de pagamento de propina e financiamento ilícito de campanhas eleitorais investigadas pela promotoria.

A assessoria do prefeito de Marília, Mário Bulgareli (PDT), afirmou que a contratação da fornecedora de merendas "se deu em mandato anterior" - atribuindo a seu antecessor, Abelardo Camarinha, hoje deputado federal (PSB-SP), responsabilidade pelo negócio. "O atual prefeito não conhece a forma e procedimentos adotados para realização do contrato. Quando assumiu a prefeitura prosseguiu com o contrato."

Segundo a assessoria, o Ministério Público já instaurou inquérito civil. "O inquérito (com relação à gestão Bulgareli) foi arquivado porque concluíram que o valor praticado estava abaixo do valor de mercado. Na gestão Bulgareli o contrato foi rescindido."

Abelardo Camarinha foi categórico. "Tenho total desconhecimento da questão e vou processar criminalmente esse cidadão (Genivaldo Santos). Ele é um louco que inclui em seus relatos nomes importantes da política ou pessoas que detêm foro privilegiado, como José Serra, Marta Suplicy e Gilberto Kassab, a fim de conseguir pena mais branda."

O ex-prefeito de Carapicuíba Fuad Gabriel Chucre (PSDB) disse que "praticamente não tinha contatos com os empresários". "O que eu sei é que a gente devia muito dinheiro. Eles nos procuravam para receber. Carapicuíba é um município muito carente, com arrecadação pequena demais e uma população muito grande, amis de 380 mil habitantes."

Chucre admitiu que conhece o empresário Eloizo Durães. "Conheço, mas não tinha contato com ele toda hora. Ele vinha me cobrar às vezes. Ele me ligava. Eu nunca tive conhecimento de nada, nunca ouvi falar em propina. Estou tranquilo."

O ex-prefeito de Taubaté, José Bernardo Ortiz (PMDB), hoje presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, declarou, por sua assessoria. "A empresa (Sistal) foi contratada por meio de licitação e, durante minha gestão, seus serviços foram rigorosamente fiscalizados em custo, número e qualidade de refeições."

O secretário de Governo de Taubaté, Adair Loredo, rebateu as suspeitas na gestão Roberto Peixoto (PMDB). Disse que a Sistal foi contratada em 2002. "Quando Peixoto assumiu a administração, em 2005, o contrato ainda estava em vigor e Peixoto abriu nova licitação." Sobre a quebra do sigilo bancário de Peixoto, Loredo disse: "Trata-se de cruzamento de dados nessa área de alimentação, cruzamento com a movimentação da EB".

A administração Mário Reali (PT), prefeito de Diadema, informou que "desconhece qualquer irregularidade" no fornecimento de merenda. "Por meio de sua área jurídica, a administração encaminhou recentemente informações pertinentes aos questionamentos formulados pelo Ministério Público sobre contratos", observou a assessoria de imprensa. O Estado não localizou Donisete Fernandes dos Santos, também citado pelo delator.

A Prefeitura de Porto Ferreira nega existência de irregularidade nos contratos da merenda. "Temos um dos menores preços da região", disse o chefe do departamento de Gestão Governamental, Haroldo Christensen.

A Prefeitura do Recife negou irregularidades no contrato de R$ 9 milhões que mantém com a SP Alimentação. "Os contratos estão sendo cumpridos regularmente." A Prefeitura de Maceió suspendeu o contrato com a SP Alimentação. O ex-secretário municipal de Gestão Régis Cavalcante (PPS) negou as acusações. A Prefeitura de São Luís e o governo do Maranhão não responderam. As empresas SP Alimentação, Convida, Nutriplus e J. Coan negaram as acusações.

Reações

ABELARDO CAMARINHA

EX-PREFEITO DE MARÍLIA (SP)

"Tenho total desconhecimento da questão e vou processar criminalmente esse cidadão (Genivaldo Marques dos Santos)"

FUAD GABRIEL CHUCRE

EX-PREFEITO DE CARAPICUÍBA

"Eu nunca tive conhecimento de nada, nunca ouvi falar em propina. Estou tranquilo"

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