Giannazi entra com ação contra cadeião em Parelheiros

O vereador Carlos Giannazi, que atualmente está suspenso de seu partido, o PT, entrará amanhã com um representação no Ministério Público estadual contra a transformação do prédio da Febem de Parelheiros em um Centro de Detenção Provisória (CDP), conhecido popularmente como cadeião. O governador do Estado, Geraldo Alckmin, desativou ontem a unidade e afirmou que ela deverá abrigar um CDP. Foi uma surpresa para os moradores do bairro, que fica na zona sul de São Paulo, e é uma das regiões mais carentes da Capital."Ficamos perplexos com o anúncio. Isso é um retrocesso, tivemos um luta intensa para que o presídio fosse desativado. Transformaram em Febem contra a vontade da população", afirmou ele, que teve hoje uma reunião com moradores para definir as ações que serão tomadas contra a decisão. "Se a representação não fizer o governo retroceder, os moradores estão dispostos a ocupar o prédio, para que ele não seja transformado em cadeião", contou. Também será pedida uma audiência com Alckmin. "Mas recorremos diretamente ao Ministério Público porque nossa reivindicação é antiga, o governo já a conhece", completou.Segundo ele, a população quer que o prédio seja transformado em uma universidade pública, voltada para estudar o meio ambiente. Ainda de acordo com o vereador, eles querem também que exista um curso de Medicina no local, com um hospital universitário que possa atender os moradores, pois o atendimento hospitalar na região é deficiente. "O prédio fica numa região de manancial, por isso pensou-se no meio ambiente", comentou.Ele lembrou que a Câmara dos Vereadores paulistas aprovou uma moção para a transformação do prédio em um braço da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "O prédio poderia ser um campus da Unifesp, da Universidade de São Paulo (USP) ou da Universidade Estadual Paulista (Unesp)", exemplificou. "O prédio precisaria de apenas algumas reformas para adaptá-lo, acredito que a universidade já poderia estar em funcionamento no ano que vem", comentou.Giannazi foi diretor de escola em Parelheiros e por isso conhece a região. Segundo o vereador, já houve protestos da população na época da construção do presídio. "Ele foi construído em cima de uma cratera formada porque um meteoro tinha caído ali. A gente achou que essa área tinha interesse para estudo e que deveria de ser preservada, mas mesmo assim, construíram o presídio", recordou.

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