´Gigante alagoano´ ganha tratamento em São Paulo

O drama do estudante José Cristóvão da Silva, 22 anos, que mede 2,23 metros de altura e não pára de crescer, parece estar chegando ao fim. Um ano depois que seu gigantismo tornou-se público, com aparições na mídia nacional, Cristóvão será examinado gratuitamente um dos maiores especialistas em distúrbios do crescimento, o endocrinologia Marcello Bronstein, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e membro do comitê de relações internacionais da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Cristóvão viaja para São Paulo na madrugada de terça-feira, 24, acompanhado da mãe adotiva, a auxiliar de enfermagem Maria José da Silva Melo, que mora na cidade de Palmeira dos Índios, a 150 quilômetros de Maceió. A viagem é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Saúde do Estado e da prefeitura de Palmeira dos Índios, onde Cristóvão trabalha como estagiário da Biblioteca Graciliano Ramos. Assim que desembarcar no aeroporto de Guarulhos, o rapaz será levado direto para o consultório do doutor Bronstein, na Avenida 9 de Julho. "Tenho fé em Deus, que desta vez o meu problema terá solução", afirmou Cristóvão, que volta a São Paulo cerca de um ano depois de aparecer em um programa do SBT. "Desta vez vou para iniciar o tratamento que sempre esperei", acrescentou o jovem. Em março do ano passado, quando saiu a primeira reportagem na mídia local sobre seu drama, Cristóvão media 2,16 metros de altura, atualmente já passa de 2,23 metros e não pára de crescer. "Não quero pagar com a vida o preço de ser o mais alto do Brasil ou do mundo", disse o rapaz de sorriso discreto e olhos esverdeados. Antes de embarcar para São Paulo, Cristóvão irá recolher todos os resultados dos exames que realizou em Maceió para entregá-los aos médicos que irão examiná-lo na capital paulista. Ele já tem consulta marcada com o doutor Marcello Bronstein e uma bateria de exames no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde poderá ser operado e ficar internado caso seja necessário. "O médico que irá examiná-lo em São Paulo disse que eu devia ir preparada para tudo, até para uma internação mais prolongada se for o caso", afirmou dona Maria José. Infância pobre e duas cirurgias Em sua casa, na periferia de Palmeira dos Índios, onde estuda, trabalha e namora, Cristóvão contou que é fruto de um relacionamento extraconjugal entre seus pais biológicos, quando eles trabalhavam em São Paulo. Sua mãe voltou grávida para Pernambuco e entregou o filho recém-nascido a uma senhora que mora no povoado de Salgadinho, zona rural do município de Minador do Negrão. O povoado alagoano fica próximo a Palmeira dos Índios e faz divisa com a cidade de Iati, no sertão pernambucano, onde Cristóvão nasceu, mas nunca morou. "Eu me considero alagoano, mas no meu registro de nascimento consta nascido em Iati, Pernambuco", afirmou Cristóvão, que teve uma infância pobre, sem acesso à escola e a tratamento de saúde. No início da adolescência, já chamava a atenção dos moradores de Minador do Negrão porque tinha tamanho de gente grande. Aos 13 anos, media 1,78 metro. Sua estatura acima do normal não era sinônimo de boa alimentação, mas sim reflexo de um distúrbio hormonal considerado raro e cuja identificação só seria diagnosticado anos depois. Quando completou 14 anos, Cristóvão conheceu sua segunda mãe adotiva, dona Maria José, que trabalhava como auxiliar de enfermagem no posto de saúde em Minador do Negrão, mas mora em Palmeira dos Índios. "Ele chegou com fortes dores de cabeça. Eu tratei dele e quando ele teve alta ficou perambulando pela cidade, não queria voltar para a zona rural. Quando a medicação passou o efeito e as dores voltaram, ele ficou deitado se contorcendo de dores numa calçada, e eu fui chamada para atendê-lo. De lá para cá eu nunca mais deixei de cuidar dele", contou a segunda mãe adotiva. Em seguida, Maria José levou Cristóvão a um médico de Palmeira dos Índios, que diagnosticou um pequeno tumor no cérebro do rapaz. "Era um tumor do tamanho de um caroço de feijão, que esse médico retirou da cabeça dele e pôs fim, temporariamente, às constates dores de cabeça que o Cristóvão sentia desde quando morava numa humilde casa de taipa com sua primeira mãe adotiva", contou Maria José. Segundo ela, no ano passado, Cristóvão foi submetido a segunda cirurgia no cérebro, para a retirada do que restou do primeiro tumor, que já estava um pouco maior. "Antes dessas cirurgias, só Deus sabia a intensidade das dores de cabeça que eu sentia. O sofrimento era incontrolável", disse o bem-humorado Cristóvão. Quando foi submetido à segunda cirurgia, o estudante tinha perdido parte da visão e poderia ter ficado cego, além de outras complicações. No entanto, os procedimentos não conseguiram fazer com que Cristóvão parasse de crescer. Pobre e sem ter como dar seqüência ao tratamento, o rapaz continuou crescendo porque não teve acesso aos medicamentos indicados pelo médico de Palmeira dos Índios. "Ele precisava de um remédio muito caro para retardar o crescimento. Só agora, com 22 anos, teve acesso a uma primeira ampola da injeção que custa cerca de R$ 3,8 mil", explicou dona Maria José. Após um apelo público, publicado no estadão.com.br, Cristóvão não só conseguiu o remédio que precisava para brecar o crescimento, como também terá direito ao tratamento gratuito em São Paulo. O jovem será examinado pelo doutor Marcello Bronstein, que atende exclusivamente na sua clínica particular, em São Paulo.

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 14h40

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