Gil Rugai sai da prisão

Após aguardar o dia todo pela sua libertação, o estudante Gil Rugai, de 22 anos, deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, às 18h48 desta quarta-feira, 19. Rugai saiu do cadeião dentro do carro de seu advogado.Acusado de matar o pai, o publicitário Luiz Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, em 28 de março de 2004, para encobrir um desfalque que teria dado na empresa da família, ele estava preso desde 6 de abril de 2004 e obteve o habeas-corpus para aguardar seu julgamento em liberdade nesta terça-feira. Na saída, o jovem, que nega a autoria do crime, aparentava muita calma. Ao conceder o habeas-corpus, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que Gil estava preso há mais tempo do que deveria, o que viola o preceito da dignidade da pessoa humana. "A jurisprudência do STF salienta que nada pode justificar a permanência de uma pessoa na prisão sem culpa formada (sem condenação), quando configurado excesso irrazoável no tempo de sua segregação cautelar", afirmou o ministro Celso de Mello, que propôs a concessão do habeas-corpus. Cronologia29 de março de 2004 Um dia após o empresário Luiz Carlos Rugai e a mulher, Alessandra Fátima Troitiño, serem encontrados mortos na casa da Rua Atibaia, Perdizes, onde moravam e tinham uma produtora de vídeo, o vigia da rua diz ter visto Gil Rugai, filho de Luiz Carlos, saindo da casa na noite do crime, na companhia de outra pessoa30 de março de 2004 A polícia descobre que a produtora sofreu desfalque de R$ 100 mil um mês antes do crime. Gil trabalhava na contabilidade4 de abril de 2004 Perícia encontra cartucho disparado pela mesma arma usada nos assassinatos no quarto do estudante na casa do pai. No dia seguinte, é confirmado o desfalque de R$ 100 mil dado por Gil6 de abril de 2004 O estudante se entrega e nega o crime. No dia 29, a Justiça acolhe denúncia do Ministério Público contra Gil 21 de maio de 2004 Laudo constata que a pegada do estudante é compatível com a encontrada em uma porta arrombada na casa do pai25 de junho de 2005 Pistola semi-automática calibre 380 é encontrada na tubulação do prédio onde Gil mantinha sua produtora6 de julho de 2005 Perícia conclui que a pistola é a mesma usada para matar Luiz Carlos e Alessandra9 de agosto de 2005 Rugai tem liminar negada em dois habeas-corpus pelo ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram negados o trancamento da ação penal a que o estudante responde na Justiça e a revogação de sua prisão preventiva15 de setembro de 2005 Juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri, anuncia que Gil Rugai vai a júri popular. A data do julgamento ainda não foi marcada18 de abril de 2006 Após dois anos e 13 dias preso, o estudante Gil Rugai, de 22 anos, obtém habeas-corpus no Supremo Tribunal Federal para aguardar seu julgamento em liberdade19 de abril de 2006 Gil Rugai sai do Centro de Detenção Provisória (CDP) às 18h48

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