Gilberto Gil diz que atos de corrupção se tornaram "práticas comuns"

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, afirmou nesta segunda-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está resistindo aos escândalos de corrupção nas pesquisas de intenção de votos porque a percepção no País é de que esses problemas já teriam se tornado "uma prática comum" e "tolerada, ainda que condenada". Em Genebra, para uma conferência sobre propriedade intelectual, Gil diz ainda não saber se permanecerá no governo em um eventual segundo mandato. Mostrando tranqüilidade ao falar das crises políticas enfrentadas pelo atual governo, o ministro acredita que os escândalos não têm afetado as chances de eleição de Lula por enquanto por pelo menos quatro motivos. "O primeiro fator é o forte prestígio do presidente, sobretudo junto às populações mais pobres. Em segundo lugar, existe uma percepção generalizada de que os escândalos não dizem respeito diretamente ao presidente, ainda que possam estar relacionados a membros do seu governo", afirmou Gil. "Outro fator é a própria percepção que não há particularismo (nesses escândalos), que não são problemas particulares desse momento e que é uma prática comum", disse, lembrando que se trata de um problema que ocorre em todos os governos e em todos os países. "Há uma relativização do problema. Mesmo nos países em que a punição é exemplar, a prática (de corrupção) continua, como no Japão, Estados Unidos e Europa", justificou. Segundo o ministro, essa relativização afetaria até mesmo "os princípios e o sentido de verdade e justiça" nas várias sociedades. "Trata-se de algo muito complexo", explicou.Para ele, ainda existiria a percepção no Brasil de que se trata de um problema "sistêmico e que, ainda que seja condenada, é tolerada". Gil garante, porém, que as práticas precisam ser condenadas. "Nós que estamos comprometidos com o processo civilizatório e o império da lei, temos de condenar (as práticas de corrupção)", afirmou.Sobre sua eventual permanência como ministro em um possível segundo mandato, Gil não dá pistas. "Há razões para ficar e para sair. Esse é o momento de pesar cada uma delas. Mas não posso falar disso sem um convite por parte do presidente", concluiu.

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