Gilberto Gil diz querer continuar no Ministério da Cultura

Pela primeira vez o ministro da Cultura, Gilberto Gil, admitiu ter vontade de continuar no cargo, caso o presidente Lula seja reeleito e o convide. "Existe vontade de continuar, gostei de tentar fazer o trabalho, das dificuldades e também do prazer de realizar", disse ele antes de entrar na cabine de votação, no Gávea Golf Club, na zona sul do Rio."Não tenho muita dificuldade com a dureza da vida, sou muito conformado, não sou idealista no sentido que há a possibilidade de transcender para beatitude definitiva", prosseguiu Gil, depois de dizer que a imprensa interpretou mal suas declarações de que a corrupção faz parte da dimensão humana, publicadas na semana passada.Para ele, a população está menos animada nessas eleições por causa das proibições em relação a propaganda. Ele disse não saber se haverá ou não segundo turno para presidente.Gil não quis declarar o voto em nenhuma das esferas, mas sua mulher, Flora, usava uma camiseta da inspetora de polícia Marina Maggessi (PPS), candidata a deputada federal. O ministro é filiado ao PV, que no Rio está coligado ao PFL e ao PPS e apóia Denisse Frossard para o governo.Personalidades de diversas áreas de atuação votaram na mesma zona eleitoral de Gil, como a cantora Maria Bethânia, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, o presidente de honra da Fifa, João Havelange, e as atrizes Andrea Beltrão e Fernanda Torres, que defendeu a realização do segundo turno das eleições presidenciais.Ela não quis revelar seu voto, embora diga ter concordado com a postura do senador Cristovam Buarque que no debate da TV Globo pediu aos eleitores que votem pelo segundo turno para terem mais tempo de refletir. "Acho estranho não ter um segundo turno com tudo o que está acontecendo. Acho que ainda há um desejo do povo de que Lula seja presidente, mas acho que seria bom haver um segundo turno", disse ela, enquanto aguardava na fila de espera para votar.Na cabine de votação, Fernanda se atrapalhou e esqueceu o número de seus candidatos. Mesmo com a lista disponível na seção nas mãos ela demorou mais de cinco minutos para achar o número de quem votaria para o Senado.O escritor João Ubaldo Ribeiro disse: "Não votei feliz, votei desanimado". Ele sublinhou a importância do voto "se quisermos manter uma aparência democrática", mas criticou que "esse Congresso deve ter sido o pior da história do Brasil, marcado por corrupção e todo tipo de privilégios, mas não podemos prescindir de um Congresso". O escritor não quis revelar em quem votou. Colaborou Jaqueline Farid

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