GO: Pais perdem guarda dos filhos após tentarem vendê-los para comprar crack

Caso ocorreu há dois anos, mas decisão saiu nesta 2ª; crianças já foram adotadas em Goiânia

Rubens Santos, especial para O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2012 | 18h03

GOIÂNIA - A Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) retirou nesta segunda-feira, 9, a guarda de três filhos de um casal viciado. Segundo a decisão, Josiane Maria de Souza, de 32 anos, e Anderson Moura Viana, de 35, teriam colocado as crianças a risco para conseguir dinheiro para comprar crack. O caso é semelhante ao que teria ocorrido na cidade neste fim de semana.

O caso ocorreu há dois anos, e as crianças - duas meninas e um menino - foram enviadas para o Conselho Tutelas e, mais tarde, adotadas. Segundo a Justiça, os menores foram expostos a risco físico grave pelos pais.

"A dependência ao crack era tamanha que abandonaram os filhos para continuar nas drogas", disse João Batista Martins, conselheiro tutelar da região centro-sul de Goiânia. Segundo ele, situações como esta estão em alta nas estatísticas.

Em 2011, cerca de quatro mil casos semelhantes passaram pelo Conselho Tutelar de Goiânia, entre outras ocorrências de espancamento e estupro. "Foram números recordes de ocorrências", disse ele. Estupro, espancamento grave com lesão e ameaças exigiram a intervenção com abrigar, acompanhar, até tirar a criança do ambiente de agressão.

Resolução. Já a conselheira tutelar Karine Rodrigues Santos Almeida acredita que a ausência de políticas públicas "efetivas", e "adequadas", tornaram nulas o combate à disseminação do crack e uma possível diminuição no número de viciados.

Na unidade onde trabalha, por exemplo, o conselho tem veículo único, as internações têm duração curta (40 dias), não há emprego e outras atividades para levar o viciado "ao esquecimento das drogas". Logo, disse ela, crescem as estatísticas de maus-tratos e violência contra criança.

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