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Agentes retomam controle da penitenciária de Alcaçuz

Foram encontrados um revólver e armas brancas durante a intervenção; veículos com materiais de construção para a reforma da penitenciária também foram enviados ao local

Rafael Barbosa, Especial para o Estado

27 Janeiro 2017 | 09h25
Atualizado 27 Janeiro 2017 | 20h21

NATAL - Foram as bandeiras do Brasil e do Rio Grande do Norte que indicaram, nesta sexta-feira, 27, a retomada pelo governo da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal, após 14 dias de rebelião. Elas foram hasteadas no teto dos pavilhões em substituição aos lençóis brancos com inscrições das duas facções rivais que duelavam na unidade e até então denunciavam o motim.

A operação batizada de Phoenix contou com a atuação de 78 homens da força-tarefa de intervenção penitenciária, do Ministério da Justiça, vindos do Rio, do Ceará, de São Paulo e do Distrito Federal. Agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) potiguares integraram a ação, que terminou com a apreensão de uma arma de fogo, dezenas de armas brancas e 30 celulares.

De acordo com as informações repassadas pelo governo do Estado, 120 detentos que portavam material ilícito nesta sexta foram encaminhados para autuação na delegacia móvel, instalada pela Polícia Civil na unidade. A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) trabalha para identificar possíveis lideranças entre os apenados. 

A atuação dos agentes foi focada nos pavilhões 4 e 5, que concentraram as brigas durante as duas semanas de rebelião. A briga teria começado no sábado retrasado, quando membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram o pavilhão 5 para assassinar rivais na estrutura vizinha; 26 morreram naquele dia.

Ao redor da unidade, já eram visíveis o depósito de materiais de construção, como vigas, para a construção de uma cerca do lado externo, além de outros reparos previstos pela administração estadual. No interior da unidade, já está em andamento a construção do muro que vai separar os pavilhões 1, 2 e 3 das unidades 4 e 5, que deve ficar pronto em até 20 dias. 

O governo havia confirmado que durante o período do motim 56 detentos escaparam da unidade; outros 20 têm situação considerada indefinida, já que podem ter fugido ou deixado o presídio por meio de progressão de regime, sem que a administração tenha feito esse controle. Quatro foram recapturados. 

Tensão. A maior penitenciária do Estado, que abrigava 1,1 mil detentos, viveu, desde o dia 14 de janeiro, momentos de tensão. Depois do motim, presos de diferentes pavilhões voltaram a brigar e o governo havia confirmado a ocorrência de novas mortes, apesar de não ter estimado a quantidade de vítimas. Feridos foram atendidos por serviços de urgência. 

Batalhões de operações especiais da Polícia Militar chegaram a entrar no local, mas não permaneceram, devolvendo o controle aos detentos, que insistiam em trocar ameaças e subir no teto dos pavilhões. A situação só foi controlada com a chegada do auxílio federal.

 

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