Goiás corre risco de perder o título de patrimônio da humanidade

A cidade de Goiás, reconhecida pela Unesco como patrimônio da Humanidade, desde dezembro de 2000, corre o risco de perder este título. Uma equipe da Unesco, mais precisamente o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos/Brasil), está visitando a antiga e bela capital do Estado de Goiás, para verificar como foram utilizadas as verbas nacionais e internacionais nos trabalhos de recuperação de partes significativas do seu patrimônio histórico. Goiás foi inundada por uma enchente Rio Vermelho, na noite da virada para o ano de 2001. Ficou coberta de água e lama. Vários prédios foram destruídos, inclusive a casa e os jardins da poetisa Cora Coralina. As águas voltaram ao seu leito e a lama foi retirada e muitos prédios e ruas de pedras, reconstruídos. Restam ainda ruínas de várias lojas, em Frente ao Mercado Municipal, condenadas pela Defesa Civil, um projeto, considerado por muitos na cidade como exagerado, de uma Avenida Beira Rio também condenada. E quase nada foi feito para evitar novas enchentes. O que é pior: a lama que cobre a prefeitura de Goiás está difícil de ser removida. Fatos já de conhecimento público foram confirmados e divulgados, em setembro último por uma varredura realizada pela Controladoria-Geral da União que comprovou todos os tipos de irregularidades: ausência de licitação, favorecimento, superfaturamento, desvio de verbas em quase todas as contas de prefeitura. E mais: o prefeito, Boadyr Veloso teve confirmada sua condenação a mais de 13 anos de prisão pelo Superior Tribunal de Justiça, por pedofilia e favorecimento a prostituição. Vários hábeas corpus já lhe foram negados. Em 16 de dezembro último, o STJ negou mais um. Com isto, o Ministério Publico requereu pela terceira vez a prisão do prefeito. Mas ele continua livre e receberá, com honras e pompas a comissão da Unesco.

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