Goiás monta operação de guerra contra febre amarela urbana

Secretário de Saúde pede que Estados enviem doses da vacina após a morte de homem com sintomas da doença

Rubens Santos, de O Estado de S. Paulo,

05 de janeiro de 2008 | 16h43

A morte do peão João Batista Gonçalves, de 31 anos, obrigou as autoridades de saúde a intensificar ações para evitar a febre amarela urbana. O Estado de Goiás é considerado uma zona endêmica da febre amarela silvestre devido às grandes extensões de matas existentes na região Centro-Oeste. Para impedir a reurbanização da febre amarela, extinta há 65 anos no Brasil, Goiás montou uma operação de guerra para atacar os hospedeiros naturais - os macacos e os mosquitos - além de vacinar 802.946 pessoas, ou o equivalente a 15% da população. Veja também:Morre homem com suspeita de febre amarela "O ministério da Saúde convocou todos os Estados a enviar suas doses de vacina contra a febre amarela", disse neste sábado, 5, o secretário de Saúde, Cairo de Freitas. Segundo ele, a parcela da população a ser vacinada foi estimada pelo Ministério, que propôs também a liberação de 1,5 milhão de doses de vacina. A estimativa se refere, em tese, ao número de pessoas que não foram vacinadas contra a Febre Amarela nos últimos 10 anos. A operação de guerra começou no dia 2. Além da vacinação, o Estado atua em outra frente de trabalho para impedir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da febre amarela nas zonas urbanas, e que está presente em 242 dos 246 municípios. Em Goiânia, a Prefeitura está retirando toneladas de lixo que são despejadas nas ruas, todos os dias, pelos moradores. Os pontos críticos são, entre outros, o setor Sul, próximo ao Centro, e o Jardim América que é vizinho a bairros nobres como Bueno, Marista e Nova Suíça. Municípios vizinhos a Goiânia, como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, São Miguel do Passa Quatro, Hidrolândia, Goianira e Bela Vista estão em alerta pelo registro de macacos mortos. No Estado, até o mês passado, foram localizados 80 macacos mortos - os animais e os mosquitos dos gêneros haemagogus e sabetes são os principais hospedeiros da febre amarela silvestre. Devido a pizootia, que é a ocorrência de mortes de macacos sob suspeita de febre amarela silvestre, 39 municípios goianos estão em alerta, inclusive na vizinhança do Distrito Federal. São os casos de Água Fria, São João da Aliança, Formosa, Alto Paraíso e Planaltina, que ficam na divisa entre o DF. Uruaçu, lago de Serra da Mesa e Chapada dos Veadeiros são outros locais colocados em alerta. Segundo a Secretaria de Saúde há novos casos graves. Em Jaraguá, a 150 quilômetros de Goiânia, uma cidade que fica à beira da rodovia Belém-Brasília (BR-153), 13 macacos foram encontrados mortos. Também em alerta estão Fazenda Mariquita, Vista Alegre e Capão Grande, próximo ao Rio das Almas e ao povoado de Monte Castelo na divisa com Rianápolis, além dos municípios que ficam às margens do Rio das Almas e seus afluentes próximos.

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