Gol e FAB não admitem furto nem se sentem responsáveis

A despeito das insistentes cobranças de familiares dos passageiros do vôo 1907 em infindáveis reuniões com a Gol e com a Aeronáutica, no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), nem a cúpula da Força Aérea nem a empresa admitem a pilhagem às vítimas e muito menos responsabilizam-se por ela. Informado de que o celular de uma passageira fora localizado no Rio, o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informou que os militares ficaram acampados na área do acidente, mas a Força Aérea Brasileira (FAB) não pode garantir que ninguém mais tenha estado lá.A chefe do Departamento Jurídico da Gol, Carla Coelho, argumenta que, enquanto o perímetro do acidente esteve cercado, a empresa não podia nem sequer chegar ao local. Em nota, a Gol deixou claro que todos os pertences a bordo ''''ficaram sob responsabilidade do Comando da Aeronáutica desde a ocorrência do acidente até o traslado ao Distrito Federal''''.''''A área era imensa, com uns cinco quilômetros de raio, e havia aldeias próximas'''', defende-se um oficial da Força Aérea que participou dos trabalhos. Segundo ele, os militares foram catalogando tudo o que encontraram e depositando em um galpão na Serra do Cachimbo, constantemente vigiado até que todo o material foi transportado para Brasília.A Aeronáutica não quis se pronunciar oficialmente, mas o militar ouvido pelo Estado também fez questão de lembrar que, depois de receber da FAB o material recolhido, a Gol contratou uma empresa para fazer a desinfecção.''''Por mais que a Aeronáutica diga que não foi a única que manuseou os objetos, do momento em que não aceitou ajuda e trabalhou sozinha nos primeiros dias, ela tem que assumir essa responsabilidade'''', protesta a presidente da Associação dos Familiares e Amigos do Vôo 1907, Angelita de Marchi.Na nota, a Gol relata que, ''''após a chegada dos pertences a Brasília, a companhia requereu, perante o Ministério Público local, a apreensão formal de tais bens, para atendimento às normas legais cabíveis, o que foi deferido''''. Diz ainda que, ''''de acordo com normas de saúde pública, e em conjunto com o Ministério Público e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a companhia providenciou a desinfecção e higienização dos objetos por meio da empresa inglesa especializada Blake Emergency Services.''''No entendimento da Gol, havia dois tipos de bens. Aqueles que acompanhavam os corpos das vítimas ficaram sob a guarda da Polícia Civil. Só os pertences encontrados na selva e entregues à Gol foram colocados em um galpão em Brasília, sob a guarda do Ministério Público do Distrito Federal.''''O galpão era uma área fechada de acesso restrito e tudo foi catalogado, peça por peça, para ajudar os familiares na identificação. O catálogo foi disponibilizado na internet, no site do Ministério Público'''', lembra Carla, ao explicar que, em seu entendimento, a empresa não podia se responsabilizar pela devolução porque não sabia se havia conflito entre herdeiros ou não. Por isso, ela procurou o promotor público Diaulas Costa Ribeiro. Foi feito um auto de apreensão sobre todos os bens encontrados na selva e cada vítima teve seu processo aberto com a lista de herdeiros habilitados a resgatá-los.

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2005 | 00h00

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