Gol: houve falha de comunicação entre torre e o Legacy

O relatório preliminar da investigação sobre o acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, ocorrido no dia 29 de setembro, no Mato Grosso, que causou a morte de 154 pessoas, divulgado nesta quinta-feira, 16 pelo Comando da Aeronáutica, indica que houve falha de comunicação entre a torre de controle e o jato Legacy. De acordo com o coronel Rufino da Silva Ferreira, presidente da comissão de investigação do acidente, os controladores de Brasília tentaram entrar em contato sete vezes com os pilotos do Legacy por cerca de meia hora. Mas, segundo foi apurado, não houve falha de comunicação com os pilotos do Boeing da Gol. O coronel ressaltou que qualquer conclusão será prematura neste momento e que as informações foram encaminhadas aos familiares antes de serem divulgadas. ?O objetivo da investigação é evitar que novos acidente aconteçam, e não apontar culpados", declarou. Segundo ele, uma investigação nesta magnitude não é uma coisa rápida, é um processo longo, e afirmou que a previsão para o fim das investigações é de dez meses. "Jamais a investigação vai apontar responsáveis. Ela vai apontar os fatores contribuintes e fazer recomendações". Porém, Rufino disse que "a falha de comunicação pode ter contribuído para o acidente". Ao ser questionado sobre os procedimentos previstos, Rufino explicou que tanto para controladores quanto pilotos têm normas para seguir. Mas, segundo ele, há situações em que o piloto tem decisões automáticas. "Quando alguma coisa falha, ou o procedimento não foi realizado, ou não foi corretamente realizado ou foi realizado, mas não atendeu mais a essa demanda".Transponder Questionado sobre o funcionamento do transponder do Legacy - equipamento que emite sinais para os radares em terra e para outras aeronaves - que foi apontado nas investigações iniciais como um dos fatores determinantes para a colisão, Rufino disse que essa confirmação só poderá ser feita a partir de uma análise mais específica. "Se o laudo disser que não apresentou defeito, é preciso verificar se ele foi corretamente operado, ou se os pilotos do Legacy estavam preparados para operá-lo", comentou. Com o aparelho inoperante, os controladores não tinham condições de determinar com exatidão a altitude em que o jato voava porque as informações detalhadas do vôo desapareceram da tela dos radares. "O controlador de vôo toma as decisões em função das informações que ele tem naquele momento.Altitude erradaA Aeronáutica confirmou que o jato Legacy não voava na altitude prevista no momento em que se chocou com o Boeing da Gol. Conforme o relatório parcial das investigações, o jato deveria estar a 38 mil pés quando ocorreu a colisão e não a 37 mil, altitude na qual o avião da Gol trafegava.Pelo plano de vôo, o Legacy deveria voar a 37 mil pés até a vertical de Brasília. De lá até o ponto virtual de referência internacional Peres, voaria a 36 mil. E a partir dali até Manaus, 38 mil.Não há registro de solicitação do Legacy para mudar o plano. Também não há registro de instrução do controle de vôo para o Legacy mudar de nível após o último contato bem sucedido do jato.O Legacy decolou às 14h15 e atingiu 37 mil pés às 15h33, nível mantido até o momento da colisão, segundo o coronel. O choque ocorreu às 16h56, provavelmente entre a asa esquerda do jato e a asa esquerda do Boeing. Após o choque, o avião da Gol ficou incontrolável, iniciando imediato mergulho até o solo, no Mato Grosso.Os sistemas anticolisão do jato e do Boeing não emitiram nenhum alerta de tráfego ou instrução para o que a Aeronáutica chama de ação evasiva, ou seja, para evitar a colisão.ColisãoO coronel disse que até agora não foram encontrados a ponta da asa esquerda e o winglet, equipamento que fica em cima da asa. A colisão ocorreu provavelmente entre a asa esquerda do jato e a asa esquerda do Boeing. ?Após o choque, o avião da Gol ficou incontrolável, iniciando imediato mergulho até o solo?, disse Ferreira. O Boeing estava a 800 km/h no momento da colisão.A cabine do Boeing da Gol foi encontrada a 535 metros de distância do local onde estavam as asas do avião e onde a equipe de resgate abriu a clareira principal.O relatório preliminar é composto de três partes: a primeira analisa os fatores operacionais que levaram ao acidente, outra trata da parte técnica dos equipamentos e uma terceira, de possíveis falhas humanas. Matéria alterada às 17h06 para acréscimo de informações Com Agência Brasil

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.