Gol negocia indenizações com familiares das vítimas

Quarenta dias após a queda do avião da Gol, em Mato Grosso, que ocasionou a morte de 154 pessoas, representantes da companhia aérea brasileira negociam as indenizações com as famílias. A informação foi dada nesta quinta-feira, 9, pela advogada da Gol, Carla Furtado Coelho, após participar de uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização e Controle do Senado que acompanha as investigações das causas do acidente.Segundo Carla, a empresa aérea contratou um consultor jurídico que há alguns dias, está contatando as famílias individualmente. "Essa primeira conversa está acontecendo para esclarecer alguns pontos e ainda não falamos sobre valores", afirmou a advogada, acrescentando que a empresa pretende negociar caso a caso e não fixar um valor único de indenização.O especialista em direito aeronáutico, Jorge Amauri Nunes, que também participou da reunião, explicou aos senadores que a Gol tem a "responsabilidade objetiva" de indenizar as famílias pelo simples fato de ser ela uma concessionária de transporte aéreo. "Isso independe de ela ter ou não culpa no acidente", comentou. Ele alertou, no entanto, que de acordo com o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor no Brasil, essas indenizações deverão ser pequenas se comparadas a países como Estados Unidos. "Além disso, será mais fácil fixar valores pelas perdas materiais do que pelas perdas sentimentais, que também não podem ser deixadas de lado", afirmou o especialista. Seguro obrigatórioCarla confirmou que a empresa já está depositando nas contas de familiares o seguro obrigatório, mas que nem todos foram pagos ainda por causa de problemas burocráticos, como falta de determinados documentos, que devem ser apresentados pelas famílias. Os valores do seguro, no entanto, não foram revelados, mas a estimativa é que girem em torno de R$ 14 mil. "É um trabalho burocrático, infelizmente", disse a advogada. Ainda segundo a representante da Gol, a empresa garantiu aos familiares um plano de saúde de 12 meses, além de atendimento psicológico pelo mesmo período.FamíliasA representante dos familiares das vítimas do acidente com o Boeing da Gol, Eulália Carvalho, também participou da audiência no Senado e reclamou do apoio que a empresa aérea dá às famílias agora, "após a tragédia ter diminuído seu espaço na mídia" .Eulália, que perdeu o marido no acidente, afirmou que ainda não teve notícias "do tal plano de saúde" disponibilizado pela companhia aérea, ao contrário do que afirma a advogada da empresa. "Estou cobrando isso deles e, vejam os senhores que situação ruim, estou tendo que lidar com a minha dor e, ao mesmo tempo, tratar de negócios", afirmou Eulália em um dos vários momentos em que falou com a voz embargada e emocionada.A representante dos familiares também reclamou das dificuldades que ela e outras famílias têm para conseguir alguns documentos fundamentais. Um desses deles, de acordo com Eulália, é o laudo que tem que ser emitido pelo Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, cujo prazo legal já venceu e foi prorrogado. "Nós entendemos que a demora possa ser fruto de excesso de trabalho, mas o IML, no mínimo, deveria ter nos informado melhor. Fui lá algumas vezes e fui jogada de um lado para outro", relatou ela.Após relatar os problemas com o IML, Eulália disse que recebeu a promessa de que o documento será emitido até esta sexta-feira. Ela também reclamou da falta de informações por parte da Aeronáutica sobre as investigações da causa do acidente.A comissão do Senado pretende ouvir, na próxima semana, o ministro da Defesa, Waldir Pires, e um representante da Embraer, fabricante do jato Legacy que se chocou com o Boeing. Segundo o presidente da comissão, senador Leomar Quintanilha (PC do B-TO), um relatório deve ser concluído em 60 dias. A sessão foi a primeira da série que a comissão pretende fazer para acompanhar as investigações das causas do acidente.

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