Goldman também adota hábito de citar Serra em discursos

Em pronunciamentos, atual governador elogia o antecessor; para governo, menções são 'registros históricos'

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2010 | 00h00

Governador de São Paulo desde o dia 6 de abril, quando o titular José Serra (PSDB) se desincompatibilizou para disputar a Presidência da República, o tucano Alberto Goldman repete, no exercício do cargo, hábito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ? que de maneira contumaz elogia a ex-ministra Dilma Rousseff (PT), candidata à Presidência.

Em 29 dos 37 discursos proferidos em cerimônias oficiais do dia da posse até 19 de junho, Goldman citou e elogiou a gestão de Serra como governador, destacando seu empenho e paternidade de políticas públicas implementadas no Estado. Em só um discurso fez menção a Serra fora do contexto político. Todos os discursos analisados pelo Estado estão publicados no portal do governo de São Paulo. Há 38 discursos, mas um se repete.

Em nota, a Secretaria de Comunicação disse que as declarações de Goldman "foram feitas em contexto específico, durante eventos administrativos, e são registros históricos de que obras, projetos, ações ou serviços entregues por ele na ocasião foram efetivamente iniciados durante a gestão de seu antecessor, José Serra".

Segundo a assessoria de comunicação do governo paulista, os discursos proferidos por Goldman após 19 de junho não foram postados no site por restrições da Lei Eleitoral ( 9.504/97).

Curiosamente, ao discursar em cerimônia de assinatura de convênios, o governador, depois de enfatizar que representa a continuidade de Serra, destaca o cuidado que se deve ter com o momento eleitoral. "Temos uma campanha, cada um vai se definindo como acha que deve se definir. Governo não tem candidato, quem tem candidato somos nós. Eu tenho candidato, os nossos companheiros devem ter candidatos ? espero até que seja o meu." Em outro evento, enalteceu compromissos e metas. "Neste governo Serra, o que vinha sendo feito a gente dobra, todo ano a gente dobra."

"Feitiço". Coordenador de comunicação da campanha de Dilma e vice-presidente do PT, o deputado Rui Falcão disse que "o feitiço se volta contra o feiticeiro". "Tanto no caso de Lula quanto no caso de Goldman não há ilegalidade. Os que propagam a ilegalidade (na ação de Lula) mordem a língua", afirmou. "Impedir que políticos manifestem opiniões é impossível. Essa lei precisa ser revista", disse o presidente do PT-SP, Edinho Silva.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.