Goleiro Bruno afirma que advogados e juíza tentaram extorquir sua noiva

Ele confirmou a versão de sua noiva, afirmando que juíza negociou habeas corpus

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2011 | 12h14

BELO HORIZONTE - O goleiro Bruno Fernandes, acusado de mandar matar a ex-amante Eliza Samudio, confirmou na manhã desta terça-feira, 28, acusações de que advogados e uma juíza tentaram extorquir sua noiva, a dentista Ingrid Calheiros Oliveira, para que ele fosse posto em liberdade. Ele afirmou ainda que também recebeu proposta da polícia para que pagasse R$ 2 milhões para ser inocentado no inquérito e a culpa fosse jogada apenas em cima de sua braço direito, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e de um primo adolescente do atleta já condenado a medida socioeducativa pelo crime.

 

Bruno e Ingrid participam, junto com os advogados Cláudio Dalledone Júnior e Patrick Berriel, de audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas. O goleiro teve autorização da Justiça para deixar a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para também ser ouvido pelos parlamentares e entrou no recinto com o uniforme vermelho, de frio, da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), mas sem algemas. Ele chegou a chorar duas vezes antes mesmo de começar a falar.

 

Em seu depoimento, porém, o goleiro fez um desabafo emocionado, mas permaneceu firme e com a voz clara. Ele afirmou que sua família foi ameaçada pela polícia e que o chefe do Departamento de Investigação de Homicídios de Proteção à Pessoa (DIHPP), delegado Edson Moreira, teria pedido o dinheiro para que a culpa fosse jogada apenas em cima dos demais suspeitos. "Na condição que eu estava, estalava os dedos e conseguia os R$ 2 milhões", declarou.

 

Quando foi preso, Bruno era goleiro do Flamengo e estava em negociação com clubes europeus. "Mas não queria sair dali (prisão) assim. Queria que Justiça fosse feita. Disse que não ia pagar nada para acabar com a vida de garotos. Porque o Macarrão eu considero uma criança. Ele (delegado) ficou nervoso, batia na mesa e perguntou o que eu faria se encontrasse pedaços da minha filha espalhados por Minas Gerais", acrescentou o atleta. A reportagem tentou falar com o delegado, mas a informação no DIHPP é de que ele estaria a caminho da Assembleia para responder as acusações.

 

Magistrada. Ingrid também confirmou as acusações de que o advogado Robson Pinheiro e a juíza Maria José Starling, da comarca de Esmeraldas, também na região metropolitana da capital, pediram R$ 1,5 milhões para que fosse obtida a soltura de Bruno, que ainda será levado a júri popular pelo sequestro, cárcere privado e assassinato de Eliza.

 

Ela citou ainda outros advogados e disse que, quando esteve na casa da juíza, chegou a conversar por telefone com um homem que identificou-se como "Marcelo", que seria um magistrado de Brasília. "Ele tratava ela de maneira carinhosa. Chamava de esposa. Achei que tivesse alguma relação afetiva entre eles", ressaltou. Após o depoimento, ainda no meio da audiência, ela pediu que Bruno trocasse de lugar com um dos deputados e os dois passaram o resto da reunião juntos, trocando beijos e carinhos.

 

O advogado Cláudio Dalledone Júnior, por sua vez, também acusou colegas de tentarem intervir no processo e até de cometerem crimes para tentar tirar dinheiro do jogador e considerou o caso um "caldeirão de ilegalidades". "Eu via que as coisas (no processo) não andavam. A Ingrid me apresentou uma situação que, pela minha experiência, sabia que não poderia acabar bem", disse. Em nota, Robson Pinheiro negou as acusações e alegou que não teria poderes para garantir a libertação do réu. Já Maria José nunca quis se pronunciar sobre as acusações. O presidente da comissão, deputado estadual Durval Ângelo (PT), afirmou que o caso será encaminhado ao Conselho Nacional Justiça (CNJ) e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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