Goleiro Bruno tentou se matar 'várias vezes' na prisão, diz Macarrão

Atleta e seu amigo se recusaram a prestar depoimento em audiência realizada hoje; Ambos negam participação no sumiço de Eliza Samudio, desaparecida desde 4 de junho

Bruno Boghossian, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2010 | 18h33

RIO - O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes e o amigo dele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, se recusaram a prestar depoimento na audiência realizada nesta sexta-feira, 17, como parte do processo por sequestro e lesão corporal contra a ex-amante do jogador, Eliza Samudio. Sete testemunhas convocadas pela defesa foram ouvidas ontem no Fórum de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio - entre elas o diretor de futebol do Flamengo, Zico, e a presidente do clube, Patrícia Amorim.

 

Apesar de ter decidido permanecer calado, Macarrão disse ao juiz Marco José Mattos Couto que ele e Bruno "não estão aguentando mais" a situação, e que o goleiro teria tentado se matar "várias vezes" - informação que nunca foi divulgada pela polícia ou pelo presídio em que os dois estão.

 

Bruno e Macarrão estão presos desde o dia 7 de julho no Complexo Penitenciário de Contagem, em Minas Gerais, e viajaram para a capital fluminense para participar da audiência. Eles responderão ao processo da Justiça mineira pelo desaparecimento e possível morte de Eliza. Os dois negam envolvimento no caso.

 

Na audiência desta sexta-feira, Patrícia Amorim garantiu que Bruno não voltará a jogar pelo Flamengo mesmo que seja absolvido nos processos, pois a imagem do clube ficou desgastada com as denúncias de envolvimento do goleiro no caso. Zico falou apenas por 10 minutos, afirmou que o jogador tinha um comportamento normal e disse ter ficado surpreso com as acusações.

 

O ex-goleiro do Flamengo chegou a desmaiar antes da audiência, dentro de uma cela do fórum, segundo informações do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ). Ele teria sofrido uma queda no nível de glicose no sangue.

 

Depressão. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio informou que Bruno jamais tentou suicídio enquanto esteve sob custódia do Estado. O goleiro e Macarrão ficaram no Complexo Penitenciário de Bangu quando foram presos e foram levados ao mesmo local durante o período de audiências do processo pelo sequestro de Eliza, que acontecem no Rio.

 

Em nota, a Seap afirma também que Bruno passou por uma avaliação psiquiátrica e que foi diagnosticado um quadro de depressão - o que teria motivado uma determinação para que o atleta dividisse uma cela com o amigo. "Esse procedimento foi adotado uma vez que seria impossível que o interno em questão dividisse a cela com outros presos da unidade", informa o texto. O retorno dos dois a Minas Gerais já foi determinado pela Justiça fluminense.

 

Desaparecimento. Eliza Samudio está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria sido chamada para o sítio de Bruno em Minas Gerais para discutir o reconhecimento da paternidade do filho da estudante. O corpo de Eliza não foi encontrado, mas os delegados da polícia mineira consideram a jovem morta.

 

A audiência realizada hoje no Rio faz parte do processo em que Bruno e Macarrão foram denunciados pelo sequestro da ex-amante do goleiro. No ano passado, Eliza havia procurado a polícia fluminense para dizer que estava grávida de cinco meses, e que os dois a haviam agredido e tentado forçá-la a tomar medicamentos para interromper a gravidez.

 

 

Tudo o que sabemos sobre:
Goleiro BrunoRiomacarrãosuicídio

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.