Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Goleiro do Flamengo é afastado durante intertemporada

Bruno é investigado pelo sumiço de ex-namorada; presidente do Clube afirma que decisão foi em conjunto

Pedro Dantas - O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2010 | 11h53

RIO - A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, acompanhada do vice-presidente jurídico do clube, Rafael de Piro, anunciou que o goleiro Bruno está afastado por tempo indeterminado da intertemporada que o time de futebol realizará em Itu, no interior de São Paulo.

 

"Lamentamos o ocorrido com um de nossos atletas. Nós sabemos que o momento é delicado, mas é um problema particular. Ele (Bruno) fica afastado do grupo que viajará para Itu e fica à disposição para qualquer entendimento jurídico", afirmou a presidente. "O Flamengo não tem competência para julgar qualquer funcionário por seus problemas particulares."

 

Segundo Patrícia, a decisão do afastamento foi tomada em conjunto com o atleta. O goleiro esteve na sede do Flamengo, na Gávea, zona sul do Rio, mas não trocou de roupa para treinar e, após breve conversa com a presidente do clube e o vice-presidente jurídico, deixou o local.

 

Acusação

 

O arquiteto Luiz Carlos Samudio, de 43 anos, pai de Eliza Samudio, de 25, desaparecida há três semanas, prestou depoimento na Delegacia de Contagem (MG) sobre o relacionamento da filha com o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. Bruno é investigado num inquérito que apura o desaparecimento da jovem, com quem teria um filho de 4 meses, fruto de relação extraconjugal. A polícia trabalha com a hipótese de assassinato.

 

A Justiça de Minas concedeu ao avô autorização temporária para a guarda da criança, registrada pela mãe com o nome de Bruno. Samudio, que mora em Foz do Iguaçu (PR), desembarcou em Belo Horizonte acusando Bruno de "covarde". Após o depoimento, evitando citar o goleiro, fez um apelo para quem tiver informação sobre a filha procurar a imprensa ou a polícia. "O cerco está se fechando e a verdade logo virá à tona."

 

A delegada Alessandra Wilke, responsável pela investigação, informou que Bruno deverá ser intimado a depor nesta semana. O inquérito foi instaurado após denúncia anônima, segundo a qual Eliza teria sido espancada e suas roupas, queimadas em um sítio do goleiro, num condomínio em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. A mulher de Bruno, Dayane Souza, foi presa em flagrante na sexta-feira sob a acusação de subtração de incapaz, já que o bebê estaria sob seus cuidados e ela teria tentado ocultar seu paradeiro. Ela já foi solta.

 

Ontem, bombeiros e policiais militares estiveram na região do condomínio em Esmeraldas para apurar a denúncia de um corpo na localidade, mas até à noite não haviam obtido autorização para entrar no sítio de Bruno.

 

Bruno não se submeteu a exame de DNA e a paternidade é discutida judicialmente. "Eles estavam num adiantado processo de acordo para resolver o reconhecimento e a questão da pensão", disse o advogado do pai de Eliza, Jader Marques.

Ontem, o advogado Michel Assef Filho negou qualquer ligação de Bruno com o desaparecimento, mas disse que o atleta está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

 

No ano passado, a jovem registrou queixa contra Bruno na Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, no Rio, acusando-o de sequestro, ameaça e agressão. Ela disse à polícia que o goleiro tentou obrigá-la a tomar abortivos. Na ocasião, laudo do Instituto Médico-Legal apontou que o corpo da grávida tinha "vestígios de agressão". O caso foi encaminhado à Justiça do Rio, mas não prosseguiu porque Eliza não compareceu às audiências.

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