''Golpe contra Goulart não era inevitável''

Não é justa, segundo Jorge Ferreira, a imagem de um João Goulart fraco e perdido entre grupos radicais, com Carlos Lacerda comandando a direita, Leonel Brizola avançando com as esquerdas e os militares esperando a hora de dar o bote. Ele sustenta que a tomada do poder pelos militares, em 1964, não era inevitável.

Gabriel Manzano, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2011 | 00h00

"Goulart tinha, sim, uma estratégia e ela poderia ter dado certo", afirma. Ela consistia numa união entre o PSD, partido de centro, conservador, com o PTB. Juntos, eles poderiam promover reformas que seriam negociadas democraticamente no Congresso. Seriam reformas muito menos radicais do que as que bradavam os sindicatos, os estudantes, as Ligas Camponesas do Nordeste. "É claro que o programa das esquerdas era lutar pelo máximo", adverte o historiador. Duas constatações importantes que ele traz à discussão: o PSD, um partido muito pouco estudado, não era conservador, era de centro. E pesquisas da época mostravam que a maioria da população brasileira era favorável às reforma.

Por que não deu certo? Ferreira vê dois movimentos cruciais feitos por Jango nos seus meses finais no poder. Primeiro, rejeitou fazer um acordo com o FMI que o obrigaria a fazer cortes e interromper a política trabalhista. "O País ficou completamente sem dinheiro, a inflação foi aumentando e a economia parou". O segundo motivo: ele não levou adiante uma frente política sugerida por Santiago Dantas, que poderia ter lhe dado sustentação. "Preferiu aderir à esquerda, no Comício da Central de 13 de março. Era o caminho para seu fim."

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