Gol/Varig volta a puxar atrasos

Média da empresa, ontem, ficou em 41,7%; Anac dá prazo para solução dos problemas e ameaça cancelar vôos

Bruno Tavares e Daniele Carvalho, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2008 | 00h00

Durou menos de 48 horas a tranqüilidade para passageiros da Gol/Varig. Ontem a companhia voltou a puxar o ranking de atrasos em vôos, embora o índice geral do País - 22,2% até as 23 horas - fosse considerado normal pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Das 600 partidas programadas pela Gol entre meia-noite e 23 horas, 250 (41,7%) tiveram atrasos superiores a 30 minutos, nível próximo ao registrado nos quatro dias que antecederam o Natal. O porcentual da Varig era de 33,5%. Diante da possibilidade de mais transtornos no ano-novo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fixou prazos para que a empresa faça readequações e normalize as operações, sob pena de ter suspensas e até canceladas autorizações de vôos.No dia 4, técnicos e fiscais da agência apresentarão um relatório sobre os atrasos do fim de ano e só então serão definidas quais sanções serão impostas à empresa. "A punição vai ser feita. A Anac não tem como suspender vôos, que seria a pior punição para a companhia nesse momento, porque prejudicaria o consumidor. Quem ia ficar sem embarcar seria o passageiro. Na pior das hipóteses, é melhor embarcar com algum atraso do que não embarcar", argumentou a diretora-presidente da agência, Solange Vieira. As multas, disse ela, podem variar de R$ 2 mil a R$ 200 mil.Em reunião extraordinária realizada ontem à tarde no Rio, Solange e representantes da Gol identificaram cinco "problemas gerenciais" na operação da malha aérea da Gol/Varig que ocasionaram os altos índices de atraso: não unificação do sistema de check-in das duas empresas, prometida para o dia 19 deste mês; tempo de solo das aeronaves superior ao previsto nos aeroportos de Brasília e no Galeão (RJ); aumento da taxa de ocupação dos vôos (de 58% para 80%); demora nas operações de solo por parte da empresa contratada e problemas meteorológicos em aeroportos da Região Norte, o que acaba impactando toda a malha aérea.A Anac deu prazo até 18 de janeiro para que a companhia faça a integração de seu sistema de check-in. Também determinou que a Gol/Varig reveja o tempo gasto nas operações de solo nos aeroportos do Galeão e Brasília até o dia 26. Caso contrário, corre o risco de ter vôos cancelados. Além de pôr em funcionamento todas os guichês, a empresa terá de informar aos passageiros o tempo previsto de espera na fila. A diretora-presidente da Anac lembrou que a média de atrasos acima de uma hora na malha aérea brasileira estava em torno de 10% a 15% nos últimos meses. "Mas em épocas de chuvas, como a que estamos passando agora e que ocasiona fechamento de aeroportos, a tolerância é de 20%", ponderou. Ontem, os dois principais aeroportos de Minas - Pampulha e Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte - operaram com restrições por causa das chuvas que atingem o Estado. Em Congonhas, na zona sul da capital paulista, e Cumbica, em Guarulhos, o porcentual de atrasos girou em torno de 18%.Os problemas na Gol começaram no dia 20, um sábado, e só foram amenizados na véspera do Dia de Natal por causa da queda momentânea de demanda. A primeira justificativa da empresa para a demora excessiva foi uma pane no sistema automatizado de despachos. No dia seguinte, com a persistência dos atrasos, uma nova alegação: falha numa das esteiras de bagagens em Cumbica. A versão foi desmentida pela Infraero. Já o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que as dificuldades eram reflexo de demissões feitas pela empresa.Nos últimos meses, as principais companhias aéreas do País, sobretudo Gol/Varig e TAM, perderam muitos funcionários para a recém-criada Azul. "A Gol está com média de 40% (de atrasos), que chegou a 60% no último sábado. Por isso, nossa visão hoje é de que ela é uma empresa com problemas gerenciais", disse Solange.Em nota, a Gol se comprometeu a seguir todas as recomendações da Anac. Afirmou também que reforçará ainda mais o atendimento nos balcões de check-in próximos dias. "A Gol informa aos passageiros que, apesar dos índices gerais de atraso registrarem estatisticamente médias altas ao longo do dia, a situação nos aeroportos está sob controle e não há caos aéreo", frisou a companhia.A direção da empresa já se preocupa com os reflexos causados pelos atrasos da semana do Natal e teme que o episódio provoque uma debandada de passageiros para suas concorrentes durante o carnaval, época em que a procura por passagens volta a crescer.

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