Google é obrigada a tirar fotos de mortos da Providência do ar

Familiares das três vítimas ganharam a ação na Justiça para remover imagens 'dos três anjinhos mortos no Rio'

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2008 | 19h19

Parentes dos três jovens do Morro da Providência mortos em junho, após serem entregues por militares do Exército a traficantes do Morro da Mineira, ganharam na Justiça uma ação que obriga o Google Brasil a retirar do site de busca e do Orkut as fotos das vítimas ou imagens alusivas aos crimes sob pena de uma multa diária de R$ 1 mil. A empresa informou que retirou nesta quinta-feira, 30, mesmo as fotos.   Os familiares entraram com a ação após um e-mail apócrifo intitulado "as fotos dos três anjinhos mortos no Rio" ser reproduzido por usuários anônimos no Orkut. Algumas páginas do site de relacionamentos também exibiram imagens dos corpos dos jovens mutilados encontrados Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O texto cita supostas passagens criminais das vítimas e até de familiares deles antes do crime.   Apesar de determinar a retirada das fotos, a juíza Sabrina Campelo Barbosa Valmont, da 30ª Vara Cível, não estendeu a decisão ao texto por entender que "poderia gerar um retorno à censura". O presidente do Instituto dos Defensores dos Direitos Humanos, João Tancredo, que defende os familiares dos jovens, disse que entrará com um recurso para que a juíza amplie a decisão ao texto e que determine a retirada do conteúdo difamatório do site de busca.   A Google Brasil já informou que não produz conteúdo e que a retirada deve ser feita nos sites que publicaram o e-mail."O raciocínio da Google é que eles podem colocar tudo o que quiserem no site de busca e não responder por isso. Se a informação falsa atingisse alguém poderoso, duvido que iria continuar no ar", criticou Tancredo.   Obras   A Construtora Edil informou ontem que não é possível retomar as obras do projeto Cimento Social no Morro da Providência, onde trabalharam dois dos rapazes mortos. A empreiteira alegou que não recebe os repasses do Ministério do Exército desde julho e por isso demitiu os 200 moradores da comunidade contratados para a obra, que recuperava as casas da comunidade. A empresa confirmou que algumas casas ficaram sem telhado.   Em junho, a Coordenadoria de Fiscalização de Propaganda Eleitoral suspendeu a obra, pois o projeto é de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que disputava a eleição para a prefeitura. O Exército, que fazia o trabalho, se retirou do morro que ocupava desde dezembro de 2007. Após um protesto dos moradores, o juiz autorizou a continuidade da obra em regime de mutirão, mas a empreiteira alega que com o fim dos repasses do Exército ficou impossível bancar os custos. Nesta quinta, o TRE-RJ disse que com o encerramento do processo eleitoral as obras podem recomeçar. Procurado, o Comando Militar do Leste não respondeu até o início da noite

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