Governador assume papel de cabo eleitoral de Dilma

BAHIA

Tiago Décimo / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2010 | 00h00

O governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), vai tentar traduzir seu sucesso eleitoral no Estado em mais votos para Dilma Rousseff. Ele viajou ontem à tarde para Brasília, onde se reuniu com a cúpula da campanha de Dilma para delinear estratégias para a Bahia. Levou a tiracolo os dois senadores que ajudou a eleger, Walter Pinheiro (PT) e Lídice da Mata (PSB).

Wagner disse confiar no poder de atração dos votos dados a Marina Silva (PV) na Bahia e na grande vantagem de Dilma no primeiro turno. A petista recebeu 62,62% dos votos válidos, ante 20,98% de José Serra (PSDB) e 15,74% de Marina. Sobre a candidata do PV, Wagner afirmou que o "projeto dela é muito mais próximo do defendido pela Dilma que do programa do PSDB."

No início da tarde, o governador disse que o segundo turno na eleição presidencial atrapalhou seus planos de "férias". "Tinha programado uma semana para passar com a Fátima (Mendonça, a primeira-dama), mas agora vou me dedicar ao governo e trabalhar para a eleição da Dilma no segundo turno", afirmou, em entrevista à TV Bahia.

Wagner saiu fortalecido das urnas. Teve 63,83% dos votos válidos, ante 16,09% do ex-governador Paulo Souto (DEM) e 15,59% do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB). Além da vitória dos candidatos ao Senado, o governador viu as bancadas do PT crescerem na Câmara dos Deputados e na Assembleia.

Ex-ministro. A dúvida na Bahia quanto ao segundo turno se concentra no PMDB, que ainda não sabe que posição tomar - o DEM já anunciou que manterá o apoio ao tucano José Serra. Geddel não esconde se sentir traído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma por causa do apoio explícito dado por eles a Wagner na campanha.

Ontem Geddel afirmou ter uma posição pessoal sobre o assunto, que prefere não tornar pública - o líder do PMDB Michel Temer é o vice na chapa de Dilma. "Exatamente por isso (pelo fato de Temer integrar a chapa) vou a Brasília conversar com a liderança de meu partido sobre o tema", disse o ex-ministro, no fim da tarde, quando embarcava para o Distrito Federal.

O PT firmou-se como o maior partido baiano nestas eleições. Tinha seis deputados federais e elegeu dez, superando o DEM - que tem dez e vai ter seis - como a legenda com mais representantes na Câmara.

Na Assembleia, o PT terá a maior bancada, com 14 deputados (eram 10). Desbancou outra vez o DEM, que tinha 12 e passa a ter apenas 5 representantes - o partido foi superado também pelo PMDB e pelo PP, que elegeram seis deputados cada um.

PELOS ESTADOS

MATO GROSSO DO SUL

O governador reeleito de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), afirmou ontem que vai dar apoio ao candidato José Serra (PSDB), mas previu que ele vai perder a eleição para Dilma Rousseff (PT. "O Serra perde a eleição do segundo turno, mas mantenho o meu apoio". Ele evitou maiores comentários sobre a previsão, preferindo encerrar o assunto: "Sempre fui polêmico por dizer o que penso". Também não comentou a expressiva votação do tucano no seu Estado, onde ultrapassou a quantidade de votos obtidos pelo candidato ao governo do MS, Zeca do PT. São 551.296 (42,35%) contra 534.060 (42%) do petista, de um total de 1.392.464 votos no Estado.

ESPÍRITO SANTO

O governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande, principal nome capixaba do PSB, um dos partidos da base governista, assegurou apoio incondicional a candidata petista Dilma Rousseff no segundo turno. Segundo ele, a eleição de Dilma trará mais vantagens para o estado, principalmente no que diz respeito a obras. "Com Dilma haverá continuidade de ações, ganharemos tempo porque obras importantes estão engatilhadas", afirmou.

Mas a vida de Casagrande como cabo eleitoral não será fácil. Dilma conquistou 37,25% dos votos válidos no Estado, o que corresponde a 717.417 votos; Serra obteve 35,44%, o que equivale a 685.590 votos.

PARÁ

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, candidata à reeleição, aposta no apoio do presidente Lula e da candidata a presidente Dilma Rousseff para vencer o segundo turno. Ela escapou de perder o governo para o tucano Simão Jatene por uma diferença de apenas 76 mil votos no primeiro turno. Jatene é aliado de José Serra, mas tenta fechar aliança com o PMDB de Jader Barbalho para derrotar Carepa. A governadora também vai procurar Barbalho e tentar restabelecer o apoio que perdeu cinco meses antes da eleição. "Vencemos uma batalha, falta só ganhar a guerra", disse Carepa. Ela corre atrás do apoio dos candidatos derrotados Fernando Carneiro (PSOL) e Cleber Rabelo, do PSTU.

RIO GRANDE DO NORTE

O Rio Grande do Norte tornou-se o principal reduto da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, apesar dos índices de aprovação do petista acima de 80% no Estado. Após 16 anos, o DEM volta a assumir o governo potiguar com a vitória da senadora Rosalba Ciarlini, única candidata da oposição a vencer em primeiro turno no Nordeste .

Antes dela, o hoje senador José Agripino Maia havia sido o último governador do DEM. Após a vitória, Rosalba seguiu para Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado e município em que ela foi três vezes prefeita. A governadora eleita prometeu "reconquistar a credibilidade do Estado".

AMAZONAS

A primeira reação do candidato derrotado por uma diferença de 0,9% de votos ao Senado pelo Amazonas, Artur Virgílio (PSDB), foi dizer que encerraria sua carreira política. "Vou voltar à diplomacia", disse a amigos. O senador é diplomata de carreira no Itamaraty, licenciado desde 1988 para exercer cargos eletivos. Na noite do dia 3, o senador disse a um jornal local que houve "derrame de dinheiro" para eleger Vanessa (Grazziotin, do PC do B). Para Virgílio, a eleição da candidata seria um "instrumento de rancor pessoal contra ele" por parte do campeão de votos ao Senado pelo Amazonas, Eduardo Braga (PMDB). O senador está em repouso para tratar de um problema no joelho.

AMAPÁ

Os dois candidatos ao governo na disputa de segundo turno no Amapá, Camilo Capiberibe (PSB) e Lucas Barreto (PTB), começam a elaborar hoje as estratégias que usarão no segundo turno. Nada ainda está concretizado em termos de apoio dos candidatos derrotados. O curioso é que os dois candidatos ao governo estadual apoiam a petista Dilma Rousseff (PT).

Camilo Capiberibe diz que é o candidato de Dilma no Amapá, uma vez que seu partido, o PSB, está coligado com o PT. Lucas Barreto (PTB) - que teve 28,93% dos votos - disse que sua coligação e a coordenação da campanha ainda vão reunir para decidir se buscarão apoio de algum dos candidatos derrotados.

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