Governador avalia se contar tudo é arma contra ou a favor

Bastidores

Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

O governador José Roberto Arruda passa o dia escrevendo cartas na cela da Superintendência da Polícia Federal. Em alguns manuscritos, ele cita integrantes da alta cúpula do DEM e de outros partidos e as relações que mantiveram com o governo do Distrito Federal.

São documentos entregues a amigos e familiares. Ninguém diz se são meras menções ou acusações contra antigos aliados.

Esse assunto entrou em discussão na reunião com os advogados, no sábado à noite. A avaliação de todos foi de que, por enquanto, não há motivos para Arruda disparar a sua metralhadora política contra os adversários.

Isso poderia atrapalhar os planos de tirá-lo da cadeia a curto prazo, já que o governador seria interpretado pela Justiça como um preso chantagista.

Levantou-se então a possibilidade de ele contar o que sabe, caso saia da prisão. Arruda, entretanto, não se convenceu ainda de que esse é o caminho ideal para sair da crise em que mergulhou desde novembro passado, quando estourou a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. Na ocasião, vieram à tona gravações em vídeo nas quais vários e importantes personagens políticos da capital federal - incluindo o próprio governador - apareciam em situações constrangedoras: recebendo dinheiro de suposta propina, contando e escondendo os maços.

Neste momento, o governador do DF coloca na balança o peso político que teria uma enxurrada de denúncias contra os antigos aliados: para o público externo, poderia ter um efeito positivo, mas, dentro do ambiente da política, haveria o risco de ser encarado como um "traidor", o que prejudicaria uma possível volta à disputa eleitoral daqui alguns anos por alguma legenda relevante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.