José Patricio/AE
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Governador da Bahia cobra foco de protestos e diz que atos violentos 'atrapalham democracia'

O petista Jaques Wagner afirma que vai investigar 'acusações de abuso policial' no protesto de quinta-feira em Salvador

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

21 Junho 2013 | 16h53

SALVADOR - Em seu primeiro pronunciamento após o violento confronto entre manifestantes do Movimento do Passe Livre e a Polícia Militar ocorrido na quinta-feira, 20, no centro de Salvador, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), cobrou foco nos protestos, afirmou que os atos violentos "atrapalham a democracia" e disse que as estruturas de segurança pública devem ser reforçadas em próximas manifestações.

O governador prometeu, por outro lado, investigar "todas as acusações de abuso por parte da força policial" e condenou a participação de grupos de partidos políticos - incluindo o seu - nos eventos. "Se é só para fazer número, não faz sentido", avaliou.

Wagner disse que "se empolga" com o "despertar para a cidadania da juventude", lembrou de manifestações das quais participou, quando era estudante e depois de ingressar no sindicalismo, mas cobrou uma pauta de reivindicações dos manifestantes.

"É preciso mostrar claramente quais são as reivindicações, para que possamos ir à mesa negociar", argumentou. "Para ir às ruas, a população precisa ter uma bandeira concreta para pressionar. Acho que o grito dessa manifestação foi 'melhora Brasil'. Esse grito já foi dado. Agora, precisamos das pautas."

O governador evitou entrar em polêmica sobre os confrontos. Disse que não entraria "no debate sobre quem começou (as agressões)" e defendeu a forte repressão feita pela Polícia Militar. "Nossa polícia é altamente experimentada na atuação em grandes eventos, nosso carnaval é muito elogiado, no mundo, por isso", argumentou.

De acordo com ele, foi usada a tática do uso progressivo da força. "Eu mesmo instruí dois coronéis, que estavam sozinhos, para negociar", disse. "Houve afrouxamento das barreiras até o ponto em que não se podia mais avançar, para a segurança do evento (a partida entre Nigéria e Uruguai, na Arena Fonte Nova, que era o destino final da manifestação). Aí, foi preciso agir."

Risco. Para Wagner, a grande depredação de estabelecimentos comerciais, prédios e equipamentos públicos e veículos registrada após o início dos confrontos põe em risco a proposta da manifestação. "Do jeito que está sendo (os atos de vandalismo), esse rio não corre para um caminho bom", avalia. "Quero fazer um apelo para esses jovens que despertam para a cidadania, para que as manifestações não sirvam de guarda-chuva para quem não prega a democracia. Porque quem está lá para promover quebra-quebra está contra a democracia, que é nossa maior joia."

Sobre a nova manifestação, que está sendo organizada para ocorrer neste sábado, 22, mais uma vez nas proximidades do estádio - que vai receber a partida entre Brasil e Itália, às 16 horas -, o governador contou que deve fortalecer ainda mais as barreiras policiais.

"Será um evento maior, que vai exigir mais cuidados", avalia. "Vamos manter o padrão (de atuação da polícia), priorizando o diálogo, mas com o aparato necessário para garantir a realização do evento e o direito de ir e vir da população e do torcedor."

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