Manu Dias/Governo da Bahia - 25/02/2020
Manu Dias/Governo da Bahia - 25/02/2020

Governador da Bahia anuncia que não haverá carnaval em fevereiro de 2022

Rui Costa afirmou que seria 'irresponsabilidade' liberar festa para milhões de pessoas enquanto Estado registra mortes por covid-19 e gripe

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2021 | 14h20
Atualizado 23 de dezembro de 2021 | 17h58

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), anunciou nesta quinta-feira, 23, que não haverá carnaval no Estado em fevereiro de 2022. O grande números de pessoas com a imunização contra a covid-19 atrasada e o avanço da epidemia de gripe foram os motivos apresentados pelo governador para cancelar a festa.

"A decisão está tomada: não haverá carnaval na Bahia em fevereiro de 2022. Hoje temos 2,4 milhões de baianos com a vacina contra a covid em atraso. Além disso, estamos lidando com uma epidemia de gripe, que tem sobrecarregado o sistema de saúde", escreveu Rui Costa no Twitter. "Precisamos ter responsabilidade com a saúde e a vida das pessoas. Realizar o carnaval no modelo tradicional, como uma festa em larga escala, se mostra inviável. Mais pra frente, avaliaremos o que pode ser feito e em que condições."

O governador ainda declarou que estuda a possibilidade de ajudar financeiramente os mais afetados pelo cancelamento do carnaval pelo segundo ano consecutivo. "Também sentaremos com os municípios para avaliar algum tipo de recurso para aquelas pessoas que tiram da festa o seu sustento. Neste momento, repito o meu apelo de sempre, que vale tanto para o coronavírus quanto para o vírus da gripe: use máscara e vacine-se!".

Mais cedo, durante a inauguração de um hospital, o governador havia afirmado que "só uma pessoa completamente irresponsável autorizaria carnaval nessas condições”. “Continuamos tendo mortes do coronavírus e passamos a ter morte do outro vírus, da gripe”, declarou. A Bahia tem dois óbitos (idosos de 80 e 84 anos, de Salvador) confirmados para H3N2, além de 185 casos até terça-feira, 21, segundo a Secretaria da Saúde, dos quais 61 necessitaram de hospitalização. Ao menos 10 Estados brasileiros estão com surtos de Influenza.

“Sabe aquele filme Missão Impossível? Estamos em uma ‘missão impossível’ triste e não será possível fazer esse carnaval. Não tem a mínima condição”, comparou Costa. "Se estava difícil ter no início mês de dezembro, hoje é impossível — com a crise da pandemia e crise da gripe, matando pessoas e com as UPAs e unidades de saúde lotadas em vários municípios — pensar em evento de 3 milhões de pessoas", argumentou.

Ele destacou que países europeus estão tomando medidas mais rigorosas para conter o avanço da variante Ômicron, da covid-19. "Alguém falar de carnaval nessa altura do campeonato está querendo ser irresponsável com a vida humana, e eu não estou nesse grupo. E, portanto, não teremos carnaval nesse modelo que a gente conhece como carnaval”, comentou.

Costa ressaltou que o veto ao evento é uma medida necessária. "Não faz sentido nenhum a gente jogar todo o esforço fora, comerciantes fizeram esforço, trabalhadores fizeram esforço, a equipe de saúde trabalhou loucamente durante esse período (da pandemia). Perdemos muita gente. E não queremos voltar a perder tanta gente.”

Antes mesmo do anúncio, artistas ligados a megablocos de Salvador já haviam desistido de desfilar em 2022, como os cantores Bell Marques, Léo Santana, Preta Gil e Daniela Mercury. A produtora Flora Gil também anunciou que não produzirá o camarote Expresso 2222, um dos principais da capital baiana, para o ano que vem.

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