GOVERNO DA BAHIA
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Governador da Bahia diz que repasses do Planalto são insuficientes e ministro pede mais tempo

Estado sofre com chuvas que mataram 20 pessoas e desabrigaram mais de 30 mil

Lauriberto Pompeu, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2021 | 13h45

BRASÍLIA - O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta terça-feira, 28, que os repasses anunciados pelo governo federal para recuperar rodovias atingidas pelas enchentes no Estado são insuficientes. "Não é possível recuperar as estradas federais com R$ 80 milhões para o Nordeste, R$ 80 milhões não dá para recuperar as (estradas) da Bahia, pelos estragos que têm, vários rompimentos", disse Costa em Ilhéus (BA) ao final de pronunciamento, ao lado de ministros, de anúncio de medidas de combate aos efeitos da tragédia.

O presidente Jair Bolsonaro editou nesta terça medida provisória que destina R$ 200 milhões para recuperação de rodovias. De acordo com nota da Secretaria Geral da Presidência, os recursos têm por finalidade melhorias nas estradas do Amazonas, da Bahia, de Minas Gerais, do Pará e de São Paulo.

Já o texto da MP publicado no Diário Oficial da União define que, do total, serão R$ 80 milhões para o Nordeste, R$ 70 milhões para o Norte e R$ 50 milhões para o Sudeste. As chuvas atingem a região sul baiana desde novembro e deixaram 20 pessoas mortas, 31.405 desabrigadas, 31.391 desalojadas e 358 feridos. De acordo com a Defesa Civil da Bahia, o número de municípios atingidos chegou a 116.  

Rui Costa pediu que mais recursos sejam focalizados para a Bahia, que vive os efeitos mais intensos das enchentes. "Todos os Estados devem estar precisando, mas no caso é preciso um recurso direcionado para recuperar as estradas da Bahia. Fica aqui o meu apelo", disse.

Presente no evento, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, pediu mais tempo para que o governo federal possa dimensionar a quantidade de recursos que será necessária. "Vamos precisar de um pouco mais de tempo para recebermos esses informes e aí teremos a capacidade e a condição de termos o montante e esse montante será fruto de medida provisória de crédito extraordinário", afirmou Marinho.

Para justificar a falta de repasses para a Bahia, o ministro também citou a necessidade de outros Estados, como Goiás, Tocantins, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Piauí. "Temos pelo menos sete Estados hoje com problemas de chuvas torrenciais. Não tão fortes aqui como no extremo sul da Bahia, mas cada um com sua realidade", pontuou.

O pronunciamento em Ilhéus também contou com a presença dos ministros João Roma (Cidadania), Marcelo Queiroga (Saúde), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), e de Marcelo Sampaio, secretário-executivo do Ministério de Infraestrutura. Bolsonaro, que está em Santa Catarina, não participou do evento.

O ministro da Saúde anunciou que a sua pasta editou nesta terça uma portaria em que libera R$ 10,8 milhões do Fundo Nacional de Saúde para os municípios. "Para a Bahia são mais de 7 milhões e esse dinheiro já foi repassado fundo a fundo, do fundo nacional de saúde para os fundos municipais de saúde", comentou.

Em sua fala, Roma, que é pré-candidato ao governo da Bahia pelo partido Republicanos e apoiado por Bolsonaro, afirmou que o momento exige que rivalidades políticas sejam deixadas de lado. "Não estamos observando colorações partidárias, cada um tem suas posições e no momento adequado tudo isso vem à tona. Mas, de fato, estamos juntos aqui trabalhando para o povo baiano que está sofrendo neste momento", declarou. 

Além de Rui Costa, o senador Jaques Wagner (PT-BA), que deve disputar o governo estadual ano que vem contra o ministro, também participou do evento.

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