Governador de Alagoas cobra empenho para apurar mortes de moradores de rua

Já foram registrados 31 assassinatos em 2010; Teotonio Vilela quer inquéritos concluídos até dia 22

Ricardo Rodrigues - O Estado de S. Paulo,

09 Novembro 2010 | 08h08

MACEIÓ - Duas semanas. Foi o prazo que o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) deu para a Polícia Civil de Alagoas concluir e encaminhar à Justiça estadual todos os inquéritos sobre assassinatos de moradores de rua, com os nomes dos executores e a motivação de cada um desses crimes. De acordo com a polícia, só este ano, foram mortos 31 moradores de rua no Estado. Desse total, 30 casos foram registrados em Maceió, o que representa 10% das pessoas que moram nas ruas da capital alagoana. No interior, foi registrado um caso em Arapiraca, a 157 km da capital alagoana.

 

A cobrança do governador foi feita um dia depois de o programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, ter denunciado o "massacre" de moradores de rua em Maceió. Os crimes já vinha repercutido na mídia nacional e sendo denunciados há cerca de uma semana pela reportagem do Estado. Vilela determinou à direção-geral da Polícia Civil que reforce as investigações dos assassinatos de moradores de rua ocorridos em Maceió e Arapiraca nos últimos 11 meses. Ele quer que até o próximo dia 22 todos os inquéritos desses casos estejam concluídos e entregues à Justiça.

 

Além de cobrar da Polícia Civil a elucidação dos assassinatos, Vilela também determinou ações conjuntas dos órgãos estaduais e municipais da área de Assistência Social, para que seja garantido aos moradores de rua em situação de risco, o apoio assistencial e a proteção do Estado. Força-tarefa Desde a última sexta-feira, 45 policiais da Força Nacional ajudam a Polícia Civil de Alagoas a elucidar cerca de 4 mil inquéritos policiais, sobre crimes praticados até dezembro de 2007. O trabalho da força-tarefa tem duração de 40 dias, mas o prazo poderá ser prorrogado caso a missão não seja cumprida em sua plenitude.

 

Os polícias de outros Estados estão fora das investigações sobre as moradores de rua, mas poderão atuar nos casos. Na noite do último domingo, quase foi registrado o 32º caso de morte de morador de rua. Alexsandro Bonfim dos Santos, 32, foi esfaqueado, por volta das 20 horas, no terminal rodoviário da Vila Kennedy, na Ponta Grossa.

 

Segundo a polícia, ao ser socorrido, o morador de rua disse que foi agredido e esfaqueado por cinco elementos, que logo em seguida, fugiram sem deixar pistas. Policiais ainda fizeram buscas na região, mas não localizaram os agressores. A vítima foi encaminhada para a Unidade de Emergência (UE), onde se encontra internada.

 

Violência. Para o promotor de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça, do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), a violência em Alagoas não atingem apenas os moradores de rua. Ele lembrou que só neste final de semana, o IML de Maceió registrou 20 assassinatos. "O tráfico de drogas continua matando, as mulheres continuam sendo mortas e espancadas; as crianças, idosos e jovens também não vítimas. Os homossexuais são assassinados. Mata-se em Alagoas por qualquer coisa e ninguém toma uma providência, ninguém controla essa insegurança", comenta o promotor.

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