Governador de MS dá tapa em eleitor na rua

Montador de acessórios foi detido por policiais militares e, levado para a delegacia, ainda acabou sendo autuado por 'injúria real'

João Naves de Oliveira, ESPECIAL PARA O ESTADO CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), agrediu ontem, com um tapa no rosto, um eleitor que o chamou de ladrão. O episódio foi presenciado por dezenas de pessoas no populoso bairro Aerorancho 2, na periferia de Campo Grande.

"Quem acabou sendo agredido foi o governador", argumentou a assessoria de Puccinelli. O tapa foi desferido contra o montador de acessórios para automóveis Rodrigo de Campo Roque, 23 anos, morador do bairro, que foi dominado por policiais militares e levado para a delegacia.

O delegado de plantão, Paulo Henrique Sá, lavrou boletim de ocorrência como sendo "injúria real contra o governador".

"Tive de fazer um acordo", contou Rodrigo. "O delegado me disse que para eu registrar ocorrência como vítima teria de prestar queixa lá em Goiás. "Lá você consegue", ele disse."

O caso aconteceu por volta de 18h30 de quarta-feira, na Rua Arapoti, onde Puccinelli e comitiva realizavam passeata, com pequenas paradas para conversar com os moradores. Em uma dessas pausas, perguntou para Rodrigo: "Você lê jornais? Viu quanto eu fiz por Campo Grande?" Rodrigo respondeu: "Vi também que o senhor é ladrão."

"O governador me deu um tapa de mão aberta no rosto e eu lhe dei um empurrão, para não levar outro tapa. Imediatamente fui dominados pelos PMs e colocado em uma viatura policial. Devo ter chegado na delegacia por volta de 20 horas, mas só fui liberado hoje (ontem) às 2 horas da madrugada."

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