Governador de SC cria ''bolsa enchente''

Por um período de seis meses, serão beneficiadas com 1 salário mínimo famílias cujas casas foram destruídas

Júlio Castro, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), assinou ontem à tarde a Medida Provisória do "Auxílio Reação". Cada família atingida pelo desastre da chuva vai receber uma "bolsa enchente"de R$ 415,00 - um salário mínimo - por um período de seis meses. Serão beneficiadas com os recursos as pessoas cujos domicílios tenham sido destruídos ou interditados definitivamente pela Defesa Civil, localizados nos 63 municípios em situação de emergência e nos 14 que decretaram estado de calamidade pública.A bolsa enchente será custeada com recursos provenientes das doações depositadas nas nove contas bancárias vinculadas ao Fundo Estadual de Defesa Civil e que até terça-feira tinha um saldo de R$ 26,1 milhões. Será considerado como unidade familiar o grupo de pessoas que habitavam a mesma residência destruída ou definitivamente interditada. O repasse do auxilio está condicionado, segundo a MP, à comprovação de que estas famílias não tenham renda superior a três salários mínimos (R$ 1.245,00), além de não estar alojada em abrigo temporário.Segundo o último relatório da Defesa Civil de Santa Catarina, 27.236 pessoas continuam desalojados (estão em casas de amigos ou de parentes) e ainda outras 5.737 estão desabrigadas (em alojamentos mantidos pelo governo). Desde o dia 22 de novembro, já foram registradas 128 mortes e 22 pessoas continuam desaparecidas.LEPTOSPIROSESanta Catarina vive um surto de leptospirose. Foram confirmados 144 casos da doença e outros 460 estão sob investigação. Há, ainda, 997 casos suspeitos, conforme o último relatório da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC), o que já estabelece um recorde no Estado. A doença foi alastrada pelas enchentes que atingiram principalmente a região do Vale do Itajaí. Embora os números superem qualquer registro anterior, a incidência de leptospirose não configura epidemia."Considerando casos de cidades que têm números absolutos, podemos qualificar como um surto", diz a gerente de Vigilância em Zoonoses, Suzana Zeccer. Itajaí é a cidade com maior incidência da doença. De 22 de novembro até anteontem foram confirmados 26 casos - 161 estão sob investigação e 286, na condição de suspeitos. Na cidade, a enchente provocou alagamento em 80% das casas. Blumenau vem em seguida, com 24 casos confirmados, 76 sob investigação e 167 suspeitos. Outras 30 cidades figuram no diagrama de controle da Vigilância.Os números tendem a aumentar, uma vez que o período de incubação da bactéria leptospira varia de 1 a 30 dias. Suzana Zeccer salienta que o sangue do indivíduo com suspeita de contaminação só é coletado sete dias após o aparecimento dos sintomas (febre alta, dor de cabeça, dores musculares, podendo ocorrer icterícia, ou seja, coloração amarelada na pele e mucosas), quando então se dá o processo de análise laboratorial. Em muitas regiões, o quadro se agravou com os alagamentos provocados pelas novas chuvas, desde anteontem. "Tínhamos uma estimativa de que a ocorrência de casos fosse estacionar. Porém, com as novas chuvas, a exposição se mantém", afirmou a gerente, salientando que a freqüência na distribuição de água potável e a aplicação de hipoclorito de sódio na proporção de duas gotas por litro de água ainda são a melhor garantia contra a contaminação. A bactéria causadora da doença, segundo Suzana, se concentra principalmente na lama. Por isso é importante usar botas, galochas ou sacos plásticos duplos ao ter contato com o lodo. No Brasil, anualmente, são notificados mais de 4 mil casos de leptospirose. A taxa de mortalidade é de cerca de 12%, de acordo com o Ministério da Saúde. Calcula-se que apenas 10% dos casos sejam comunicados corretamente aos serviços de saúde. Entre 1996 e 2005, foram notificados 33.174 casos da doença.

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