Governador diz que Rio terá ´presença ostensiva´ de militares

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) afirmou nesta sexta-feira, 5, que a cidade terá "presença ostensiva (de militares) no entorno dos quartéis", se disse "satisfeito" com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e considerou "rigorosamente atendido" o pedido de participação das Forças Armadas."Eles vão sair dos quartéis", declarou o governador, sem detalhar até que distância das unidades militares será feito o patrulhamento. "Não há divergência, isso é uma bobagem. O governador do Estado não é um especialista em segurança pública, eu tenho que respeitar os especialistas. Conversei com o ministro Waldir Pires (Defesa) e vi disposição dos comandantes militares", disse. "Não será uma distância muito grande (dos quartéis), mas a presença nas ruas no entorno dará tranqüilidade à população e ao mesmo tempo vai racionalizar o trabalho da Polícia Militar. Foi uma autorização de acordo com o que nós gostaríamos." Não se sabe ainda quando começará a operação. Cabral ressalvou que "há toda uma hierarquia para os comandantes tomarem suas decisões internas." Nesta sexta, o Comando Militar do Leste (CML) informou que não havia recebido nenhuma orientação de Brasília.O governador também afirmou que o efetivo da Força Nacional de Segurança (FNS) será de 7 mil homens e chegará gradualmente, "porque tem de seguir uma cronologia". Segundo a previsão do governador, até o fim do mês a FNS está patrulhando as divisas do Estado e, em 60 dias, atuando na cidade. "Sei que a ansiedade da população é grande, mas temos que respeitar o lado operacional. Quero garantir que não será uma operação pirotécnica." Cabral participou, ao meio-dia, de missa no mirante do Cristo Redentor, ao lado do cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio. "Oxalá conseguirmos levar para toda a cidade a paz que daqui de cima o Cristo nos inspira", declarou o governador.Exército Apesar de toda a discussão em torno do policiamento das Forças Armadas no entorno de seus quartéis, este tipo de vigilância já vem sendo feito por soldados de algumas unidades militares, notadamente do Exército. Ontem à tarde, por exemplo, era possível ver homens do Batalhão de Guarda vigiando as ruas em volta da sede do Comando Militar do Leste que ocupa o Palácio Duque de Caxias, no centro da cidade. Na Rua Marcílio Dias, nos fundos do prédio, dois soldados faziam a vigilância por volta de 15h.Já na Tijuca, na zona norte, o 1º Batalhão da Polícia do Exército (PE) constantemente faz a guarda das ruas vizinhas ao quartel. Algumas vezes este policiamento estende-se ao centro do bairro, na Praça Saens Penna. Ontem à tarde eles estavam na Praça Lamartine Babo - defronte à uma das entradas da unidade militar - com fuzis e cães pastores alemães. Há situações mais delicadas, como a do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, no bairro do Caju, zona portuária da cidade. Ali, em uma extensa área aos fundos do prédio militar há uma vila residencial de militares e servidores civis de diversas guarnições do Rio. Em parte desta área surgiu a favela São Sebastião, que é ligada à favela Parque Alegria, cujo acesso é pela Avenida Brasil.Para evitar estas invasões, recrutas do Arsenal de Guerra costumam fazer rondas periódicas não apenas na Vila Residencial como em toda a área aberta junto ao muro que limita a favela. Na tarde desta sexta, três soldados portando fuzis e coletes à prova de bala circulavam pela rua Monsenhor Manoel Gomes, em uma ronda que se estendeu a toda a área vizinha à favela.

Agencia Estado,

05 de janeiro de 2007 | 19h53

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