AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Governador diz que sabia da possibilidade de megarrebelião

O governador de São Paulo, Claudio Lembo, afirmou que sabia desde a noite de quinta-feira que os criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) planejavam ataques e várias medidas foram tomadas, o que teria evitado um número maior de mortos. Ao todo foram 55 ações, entre a noite de sexta-feira e manhã de sábado em todo o Estado, contra bases, veículos e policiais da Polícia Militar, Polícia Civil, Guardas Civis e da Administração Penitenciária, que resultaram em 30 mortes.Lembo negou que tenha havido erro estratégico pois a transferência de presos "era uma atitude que tinha que ser tomada", referindo-se à decisão nesta semana do governo de levar 765 detentos de maior periculosidade para um presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau e que teria suscitado a reação. Além dos ataques, existem 21 presídios rebelados, com 112 reféns, de acordo com informações da secretaria de Administração Penitenciaria fornecidas no início da tarde. Trata-se da segunda maior rebelião ocorrida no Estado, atrás apenas de 2001, quando 29 penitenciárias estiveram envolvidas no movimento.O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro, afirmou que o governo buscará ao longo da próxima semana formas de agilizar os processos e reduzir a burocracia para que a polícia consiga agir mais rapidamente na identificação e prisão dos autores dos ataques. Castro não detalhou as providências que serão tomadas por serem informações sigilosas. "Não vai haver retrocesso nas decisões", afirmou, referindo-se à transferência dos presos.O secretário Nagashi Furukawa disse que a comunicação de presos com pessoas de fora - o que teria viabilizado novamente as ações dos criminosos - pode ocorrer de várias formas, inclusive por meio de pessoas que têm permissão judicial de entrar nos locais. Sobre a eliminação concreta do uso de celulares nos presídio, o secretário afirmou que sempre serão encontradas formas de burlar a segurança e acredita que as operadoras de telefonia é quem teriam o ônus de bloquear os sinais.IarasA rebelião da Penitenciária Orlando Brando Filinto, em Iaras, no interior de São Paulo, foi controlada nesta tarde, segundo informou a Secretaria de Administração Penitenciária. Outros 22 presídios paulistas continuam rebelados, com um total de 112 reféns.O presos das unidades prisionais de Ribeirão Preto, Avaré, Pirajuí, Araraquara, Flórida Paulista, Lucélia, Lavínia, Mogi das Cruzes, Suzano, Marabá Paulista, Guareí, Campinas, Diadema, Franco da Rocha, Riolândia, Potin, Itirapina, Presidente Prudente, Irapuru, São José do Rio Preto e Paraguaçu Paulista estão rebelados. Em Lavínia, duas penitenciárias estão rebeladas.Em Iaras, os policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar entraram no presídio por volta das 14 horas, libertando os 12 agentes penitenciários que estavam em poder dos presos desde a tarde de sexta-feira, 12. Também foi controlado, no início da tarde, o motim na Penitenciária I de Avaré, que começou por volta das 15 horas desta sexta-feira. Os doze reféns foram libertados após a entrada da Tropa de Choque no presídio. Detentos de outra unidade prisional da cidade continuam rebelados.AtaquesOs 55 ataques a delegacias e policiais do Estado de São Paulo organizados pela facção entre a noite de sexta-feira, 12, e a manhã deste sábado, deixaram pelo menos 30 mortos, sendo dois civis, segundo balanço parcial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.Desses ataques, 28 foram feitos contra a Polícia Militar, 20 contra a Polícia Civil, quatro deles contra a Guarda Civil Metropolitana e três ataques contra a Secretaria de Segurança Pública. Das 30 pessoas assassinadas, onze eram policiais militares, cinco da Polícia Civil, três eram da GCM, quatro agentes penitenciários e dois eram civis e cinco eram bandidos. Dezesseis pessoas foram presas.Esta é a segunda maior ocorrência de rebeliões simultâneas na história do Estado. Em fevereiro de 2001, 24 penitenciárias participaram de motins organizados pelo PCC. O movimento deixou pelo menos 16 presos mortos e teve a participação de 25% dos 94 mil detentos do Estado.

Agencia Estado,

13 de maio de 2006 | 15h39

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.