Bruno Ribeiro/Estadão
Bruno Ribeiro/Estadão

Governador do Ceará diz que cobrará Temer por ações de segurança

Camilo Santana (PT) disse que 5 pessoas ligadas à chacina teriam sido identificadas, mas se recusou a passar informações sobre novas mortes

Bruno Ribeiro, Enviado especial

28 Janeiro 2018 | 18h17
Atualizado 28 Janeiro 2018 | 19h06

FORTALEZA - O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), disse que seu Estado não fabrica nem armas pesadas nem drogas e que cobrará ações do presidente Michel Temer para conter a onda de violência local. Santana falou após uma reunião com autoridades dos três poderes estaduais marcada para discutir a chacina que matou 14 pessoas em Fortaleza na madrugada de sábado, 27. 

"Estou pedindo uma audiência com o presidente da República para exatamente cobrar ações mais efetivas do governo federal em relação ao combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas, à proteção das fronteiras do nosso País por conta dessa questão do alto índice de criminalidade do Brasil", afirmou.

Na coletiva, o governador disse que a polícia cearense teria identificado cinco pessoas relacionadas à chacina, sendo três mandantes, e que as prisões sairiam "nas próximas horas". Ele afirmou ainda que uma pessoa, portando um fuzil e que teria relação com o massacre, já estaria presa. 

"Estamos pagando um preço muito caro hoje por falta de uma política nacional. Essas facções nasceram no Rio e em São Paulo e se espalharam pelo Brasil inteiro. Isso é uma briga de território", afirmou. 

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O governador afirmou ainda que a Polícia Federal -- órgão sob o qual não possui controle -- iria criar um grupo especializado para combater o crime organizado. "Outra ação importante, tomada aqui, é a criação de um grupo especializado da Polícia Federal no combate ao crime organizado no Estado do Ceará. A criação desse grupo já vinha sendo discutida há algum tempo", disse. Nenhum representante da PF falou com os jornalistas. 

Mortes

Santana foi cobrado pelos repórteres a repassar dados sobre novas mortes que teriam ocorrido na região metropolitana de Fortaleza após as mortes da chacina. Funcionários das empresas funerárias que atendem a cidade vêm dizendo que já houve ao menos 10 mortes, e que 7 delas teriam ocorrido em dois ataques.

O governador se recusou a fornecer tais dados e se irritou ao ser cobrado. Ele disse que "o controle (da situação) é e sempre será do Estado", mas ao ser questionado sobre os números objetivos, não os passou. "Não tenho a informação". Então, foi questionado sobre o suposto controle que teria. "Se não tivesse controle, você não estaria aqui, meu caro. Se não tivesse controle, você não estaria nem andando nas ruas de Fortaleza", disse, encerrando a coletiva.  

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