Governador do MS autoriza PM a atirar em preso rebelado

Segundo a assessoria do governador, frase teria sido apenas para causar impacto

Solange Spigliatti, estadao.com.br

08 de fevereiro de 2008 | 10h37

Após um início de rebelião na Colônia Penal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, na última terça-feira, 5, considerado a gota d'água nos problemas de segurança do Estado, o governador André Puccinelli (PMDB) resolveu radicalizar. Durante a cerimônia de abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa, na noite de quinta-feira, 7, ele afirmou que, em caso de novas reações, a polícia "pode disparar". Segundo a assessoria de comunicação do governo, a frase dita por Puccinelli teria sido apenas "a determinação de tolerância menor do que zero" para causar impacto. "Ninguém em sã consciência acreditaria que o governador mandaria atirar em um detento", informou a assessoria do governador, que reforçou que o governador teria usado uma metáfora para que os policiais se defendam na primeira reação do bandido e se necessário estão autorizados a atirar. De acordo com a assessoria, dois policias militares estavam em perseguição a bandidos, que se refugiaram na Colônia. Ao chegarem, os PMs foram recebidos por dezenas de presos a pedradas. A viatura foi cercada e os policiais resolveram fugir do local. O carro acabou sendo incendiado. No dia seguinte ao tumulto, cerca de 260 policiais fizeram uma revista na Colônia e encontraram um pé de maconha, já produzindo, com cerca de 1,20 metro de altura, segundo a assessoria. Indagado sobre as medidas a serem adotadas na unidade prisional, que tem cerca de 700 internos em regime semi-aberto, ele disse que o Estado usará uma política de "tolerância abaixo de zero". O governo, de acordo com a assessoria, já pediu ao Tribunal de Justiça um estudo para a possibilidade de regressão das penas dos infratores. Muitos deles, de acordo com o gabinete, não voltam no dia seguinte, retornando à colônia alguns dias depois.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.