REUTERS/Josemar Goncalves
REUTERS/Josemar Goncalves

Governador do RN diz que rebelião foi retaliação a conflito em Manaus

Faria tentou minimizar as responsabilidades do governo estadual e afirmou que o Estado 'não pode adivinhar o que acontece dentro do presídio'

Julia Lindner e Erich Decat, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2017 | 12h17

BRASÍLIA - O governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSB), disse nesta terça-feira, 17, em Brasília que a morte de 26 presos durante rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no fim de semana, foi uma retaliação ao “conflito” entre facções no Amazonas. Para Faria, o massacre de 56 detentos em Manaus, no início do ano, desencadeou uma “onda de sadismo” em outros Estados do País.

Faria tentou minimizar as responsabilidades do governo estadual e afirmou que o Estado “não pode adivinhar o que acontece dentro do presídio”. “Até hoje, nunca tinha havido um confronto dentro dos presídios entre PCC e Sindicato do Crime RN. Virou uma guerra (...). Essa briga não é do Rio Grande do Norte, é uma retaliação ao que aconteceu no Amazonas, é uma vingança que aconteceu no meu Estado, infelizmente”, afirmou, após encontro com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. 

Apesar do motim registrado nesta terça em Alcaçuz, e das cenas de presidiários de facções diferentes formando barricadas a poucos metros uns dos outros, o governador disse que o Estado tem controle da situação.

Segundo Faria, toda a área no entorno do presídio está cercada por policiais para evitar uma eventual fuga em massa dos detentos. “Temos de trabalhar agora para evitar a fuga, porque pode causar pânico na população”, afirmou.

Transferências. O governo do Rio Grande do Norte já transferiu seis líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e, segundo o governador, outros quatro também deverão ser levados para presídios federais. “Quando retirar os líderes, vai enfraquecer, mas a guerra continua”, disse.

De acordo com o governador, ao encampar a ação pela retirada dos líderes da facção paulista, as autoridades do Rio Grande do Norte foram ameaçadas. “Disseram que iam tocar fogo em Natal. Nesta terça, o PCC disse que ia emparedar o Estado. Temos de ter esse enfrentamento. Nosso Estado não recuou e não vai recuar.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.