Governador entrega Rodoanel e diz que não tem problemas com TCU

Governador entrega Rodoanel e diz que não tem problemas com TCU

Apesar da festa, anel viário só será liberado para os motoristas amanhã; ainda há obras em execução e trechos da via sem sinalização

Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que é um "transtorno" fazer grandes obras no País, o governador e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que sua gestão mostrou "competência" ao entregar o trecho sul do Rodoanel sem pendências com órgãos como tribunais de contas e Ministério Público.

A declaração, feita durante inauguração do anel viário ? a última de Serra como governador ? , ocorre no mesmo momento em que aumentam as críticas a Lula por inaugurar obras suspeitas de irregularidades pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Anteontem, na defensiva, o presidente disse que é um "transtorno" fazer obras "de grande envergadura" no País por conta da burocracia e da fiscalização.

"Eu posso dizer que foi uma obra aprovada, inclusive antes de sua conclusão definitiva, por todos os órgãos de controladoria do Brasil. Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Federal e Estadual. É uma obra que foi feita direito. Foi dada uma demonstração no nosso governo de competência para fazer acontecer", afirmou Serra.

O Rodoanel chegou a figurar na lista do TCU de obras com problemas no ano passado. Mas o governo paulista fez um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com Ministério Público para sanar as falhas.

Apesar da comparação implícita com o desempenho do governo federal, Serra evitou críticas diretas a Lula. "Ontem (anteontem) o presidente Lula falava da dificuldade de se fazer obra no Brasil, da demora. A gente sabe disso. O problema que o Lula apontou é real", ponderou. "Portanto, isso valoriza ainda mais a realização que hoje mostramos à nossa população."

A cautela nos discursos em relação ao petista é uma estratégia eleitoral, já que o governo Lula sustenta altos índices de aprovação. A declaração de Serra também evidencia outra tática de campanha: trazer para a disputa presidencial o debate sobre a gestão dele e não a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como querem os adversários.

Do palanque, o governador disse mais de uma vez que o Rodoanel contou com "valores substanciais" do governo federal. Do custo total de R$ 5 bilhões, a União investiu R$ 1,2 bilhão. "Insistimos muito com o Lula para que viesse. Ele não pôde, mas mandou um representante à altura dessa obra", disse Serra.

Caminhão. O evento para cerca de mil pessoas ocorreu em clima de campanha. Serra percorreu a estrada nova em um caminhão da Fórmula Truck e discursou sob gritos de "Brasil urgente, Serra presidente" dos trabalhadores da obra. Preocupado com acusações de campanha antecipada, pediu que parassem. "Aqui não queremos campanha antecipada. Se o outro faz, a gente faz um esforço para ficar quieto."

Serra também teve de enfrentar vaias e apitaço em mais um protesto de professores grevistas. Parte dos manifestantes, cerca de 20, conseguiu furar o esquema de segurança e chegar à tenda onde estavam as autoridades. Antes, 30 militantes do PT de São Bernardo do Campo tentaram entrar no evento, mas foram impedidos pela polícia.

Apesar da festa de inauguração, o trecho sul do Rodoanel somente será liberado para os motoristas amanhã. Ainda há obras em execução e trechos da via sem sinalização.

Hoje Serra faz um balanço de sua gestão. Para sexta-feira está prevista a chegada à Assembleia de sua carta de renúncia. O ato que vai oficializar a candidatura presidencial está marcado para o dia 10, em Brasília.

Ontem, Serra falou das razões para continuar na vida política. "Minha motivação nunca foi a do prestígio, de ficar atraindo a atenção. Sou tímido. Meu único sentido de vida pública é me dedicar às questões do nosso povo."

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