Michel Rios/AE
Michel Rios/AE

Governador não faz oposição, conclui PSDB

Em Maceió, os oito tucanos eleitos e reeleitos definem que confronto com [br]governo federal é tarefa partidária e propõem ''cooperação'' com Dilma

Ricardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Mais cooperação e menos oposição. Esse foi o entendimento de consenso tirado pelos oito governadores eleitos e reeleitos pelo PSDB, que participaram em Maceió de encontro para definir uma posição comum com relação ao governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, do PT. "Não existe governo contra governo", argumentou o governador eleito de Goiás, Marconi Perillo.

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ressaltou que não cabe aos governadores fazer oposição ao governo federal. "Essa é uma tarefa partidária, que está mais afeita à bancada do partido na Câmara e no Senado, Mesmo assim, vamos fazer oposição de qualidade", observou.

Para o anfitrião do encontro, governador reeleito Teotônio Vilela Filho, Alagoas sempre teve uma boa relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo sendo governado por um partido de posição. "Com a presidente Dilma tenho certeza de que não será diferente."

Na opinião do governador, um Estado como Alagoas - que concentra os piores indicadores sociais do País - não pode se dar ao luxo de brigar com o governo federal, pois depende, e muito, dos repasses de verbas e programas federais.

Além de Villela e Perillo, participaram do encontro mais seis governadores eleitos ou reeleitos pelo PSDB: Geraldo Alckmin (São Paulo), Antonio Anastasia (Minas Gerais), Beto Richa (Paraná), Siqueira Campos (Tocantins), Simão Jatene (Pará) e Anchieta Júnior (Roraima).

Carta. Após o encontro, realizado a portas fechadas, os tucanos divulgaram a Carta de Maceió, com as intenções e propostas de atuação. No documento, reafirmam o compromisso de construir uma ampla agenda nacional de trabalho e discussões.

Eles definiram seis pontos em comum para trabalhar ao longo dos quatro anos de mandato. Em um dos pontos, se comprometem em promover, de forma constante e crescente, a cooperação técnica entre os governos, aproveitando as experiências bem-sucedidas em cada Estado.

O documento traz ainda a posição dos governadores tucanos com relação ao pacto federativo. Para eles, cada governador do partido deve colaborar de forma crítica e democrática com o governo federal para restabelecer o equilíbrio da Federação. Nesse sentido, reivindicam a revisão dos mecanismos de transferências voluntárias; o estabelecimento da responsabilidade compartilhada entre União, Estado e municípios, e uma agenda robusta de investimentos necessários ao desenvolvimento do País.

"São propostas comuns que deverão ser trabalhadas pelo grupo, em bloco. Só assim seremos mais fortes e teremos melhores condições de êxito", afirmou Alckmin. "Devemos buscar sempre o entendimento e a cooperação, na relação tanto com o governo federal como com os governos municipais."

Alckmin disse ainda que, para facilitar esse diálogo com os governadores, o governo federal deveria descentralizar mais suas ações. "Quando o governo descentraliza suas ações, fortalece o pacto federativo e melhora a relação com os governadores como um todo."

Os governadores tucanos também declararam apoio irrestrito à implantação do Estaleiro Eisa em Alagoas. O empreendimento, orçado em cerca de R$ 1,5 bilhão, enfrenta problemas de liberação de licença ambiental.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.