Carlos Lima/Amapá Digital
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Governador preso pode sofrer impeachment

Comissão foi instalada para analisar pedido, que deve ser julgado dia 20 na Assembleia, mas o processo dificilmente será concluído antes das eleições

Alcinéa Cavalcante ESPECIAL PARA O ESTADO MACAPÁ, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

O deputado e candidato a governador Camilo Capiberibe e os deputados Ruy Smith e Joel Banha, da coligação PSB-PT, protocolaram ontem na Assembleia Legislativa um pedido de impeachment do governador e candidato à reeleição, Pedro Paulo Dias (PP). O governador cumpre prisão temporária na Polícia Federal em Brasília. Ele e mais 17 pessoas foram presas sexta-feira na Operação Mãos Limpas.

A Operação Mãos Limpas apurou que, sob o comando do próprio governador e de seu antecessor, Waldez Góes (PDT) - que deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado -, a máquina do Estado era dominada por uma quadrilha de altos funcionários que fraudavam 9 em cada 10 licitações.

O presidente da Assembleia, Jorge Amanajás (PSDB), acolheu o pedido de impeachment do governador. Argumentou que é essa sua função como presidente da Assembleia, mas alegou que não há tempo hábil para que o processo seja concluído.

Cabe a Amanajás, que também é candidato ao governo do Estado, decidir quando o requerimento de pedido de impeachment entrará em pauta. Capiberibe, Smith e Banha querem que o requerimento entre na pauta em regime de urgência.

A Assembleia realiza apenas uma sessão por semana nesse período eleitoral. Os três deputados autores do pedido de impeachment de Pedro Paulo Dias agem para acelerar o processo.

Pressa. Uma comissão especial foi instalada ontem mesmo para analisar o pedido de impeachment. A estratégia é concluir a análise até o fim da semana, a fim de que o requerimento seja votado em plenário na segunda-feira.

Desde sexta-feira, o governador e Waldez Góes estão presos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde também está detido o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amapá, José Júlio de Miranda Coelho. Outras 15 pessoas foram levadas para o presídio da Papuda, também no Distrito Federal. Todos são acusados de integrar um esquema criminoso de desvio de verbas públicas.

PARA ENTENDER

PF apreendeu R$ 1 milhão

Iniciada em agosto, a investigação que culminou na Operação Mãos Limpas, deflagrada na sexta-feira passada, identificou desvio de recursos públicos e fraudes em licitações no Amapá. O ex-governador Waldez Góes (PDT) e seu sucessor, Pedro Paulo Dias (PP), seriam os mentores do esquema. Eles e mais 16 pessoas, incluindo o presidente do Tribunal de Contas do Estado, José Júlio de Miranda, foram presos e levados para a carceragem da Polícia Federal em Brasília. Na operação, a PF apreendeu R$ 1 milhão em espécie.

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