Governador tem vantagem contra tucano no Piauí

Ao fim de campanha marcada por agressões e recursos ao TRE, Martins tem 54% contra 39% [br]do rival Silvio Mendes

Luciano Coelho, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2010 | 00h00

Para que os 2.261.862 eleitores do Piauí possam ir às urnas com tranquilidade, neste segundo turno, o Tribunal Regional Eleitoral do Estado teve de se empenhar bastante na solução dos problemas práticos que apareceram nos últimos dias. Contra o governador Wilson Martins (PSB), que concorre à reeleição, está o candidato Silvio Mendes (PSDB). No primeiro turno, Martins ficou a pouco menos de 4 pontos porcentuais de faturar a vitória - teve 725.563 votos, o equivalente a 46,37% dos válidos. O tucano Mendes recebeu 470.660 votos, ou 30,08% dos válidos.

Segundo o presidente do TRE piauiense, desembargador Raimundo Eufrásio Filho, foi preciso mobilizar cerca de 3 mil pessoas e até aeronave para levar as urnas eletrônicas a áreas mais distantes do interior. Pelos cálculos do desembargador, o resultado da eleição, apesar de se tratar de apenas dois candidatos, só deverá ser conhecido por volta da meia-noite. O principal problema, lembrou o desembargador, foram as fortes chuvas e ventos que atingiram a região sul do Estado e derrubaram torres de transmissão, além de isolar algumas estradas. A solução que teve de adotar, rápida, foi providenciar um helicóptero para transportar urnas para o município de Gilbués, que fica a 797 quilômetros ao sul de Teresina, e tem pouco mais de 7 mil eleitores.

"Já mandamos consertar as torres para transmissão e as urnas seguiram no helicóptero. Está tudo resolvido. E continua dentro do que foi planejado", disse ele. Eufrásio Filho considera que não deverá ser alto o índice de abstenção. No primeiro turno, as 7.424 seções eleitorais receberam um total de 1.813.324 votantes. As abstenções chegaram a 19,82% (448.538 eleitores).

Os 3 mil homens convocados, entre policiais militares, civis, polícia rodoviária, tropas federais e Exército - todos envolvidos em um amplo plano de segurança - foram distribuídos por 25 municípios.

Terço e porrete. "Existem fatos ruins, mas vamos rezar para que não aconteçam. Se acontecerem, vamos atuar com todo rigor. Dissemos que temos um terço na mão para orar e um porrete na outra, para atuar", afirmou Eufrásio Filho.

O procurador regional eleitoral, Marco Aurélio Adão, revelou que as equipes da Polícia Federal estão investigando, no interior, várias denúncias de corrupção. "Temos uma fiscalização intensa e todas as providências para as investigações foram adotadas", avisou. "Não vamos falar sobre investigações em andamento e nem quantidade, mas estamos atuando como determina a lei", acrescentou o procurador.

Agressões. Como em outros Estados, a campanha foi marcada, nas últimas semanas, por agressões - e por muitos recursos à Justiça Eleitoral. Do dia 3 até a última sexta-feira, foram mais de 75 processos, na maioria do governador contra seu adversário. "A questão é que existe uso da máquina pública, uso indevido dos meios de comunicação", reclamou a advogada Geórgia Nunes, da candidatura tucana.

Na guerra de jingles, que invadiu as ruas de Teresina e outras cidades, o governador utilizou na propaganda o refrão "Molim, molim", para dizer que iria ganhar fácil, e o tucano respondeu com "Durim, durim" ou frases do tipo "Lotearam o governo, tudim, tudim".

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