Governador tucano vai evitar confronto com governo federal

Reeleito, Teotônio Vilela Filho avisa que pretende renovar, com Dilma, [br]parceria que deu certo no primeiro mandato

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

ALAGOAS

Reeleito para governar um Estado com taxas elevadas de analfabetismo, homicídios e má distribuição de renda, Teotônio Vilela Filho (PSDB) vai evitar o confronto com o governo federal, ensaiado pelo bloco tucano comandado pelo candidato derrotado José Serra, e adotar a mesma linha de parceria construída com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afônico devido a uma virose contraída na festa da vitória, Vilela informou que vai marcar audiência com a presidente eleita Dilma Rousseff (PT), possivelmente na próxima semana. Ele quer incluir obras no PAC 2.

Coordenador do programa de governo, o economista Sérgio Moreira, secretário de Planejamento e Orçamento, informou que o ponto de partida da negociação com Dilma será manter os projetos fechados no governo Lula. Quanto à postura a ser adotada no diálogo, ele disse que não se deve esperar surpresas. "Ninguém aqui vai decretar independência, nem chutar a canela do governo federal", avisou.

Cientistas políticos ouvidos pelo Estado acham que esse caminho é natural, por causa do espírito conciliador de Vilela, mas também porque não há saída, tão grave é a situação de Alagoas, cuja dívida passa de R$ 7 bilhões, cinco vezes mais que a arrecadação anual, e consome 15% da receita líquida.

"Renegociar a dívida será crucial para ter recursos para investir e reverter os dramáticos indicadores sociais", disse Alberto Saldanha, professor de História da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). A maior dificuldade, para ele, não é o fato de Dilma ser adversária petista, "mas o fisiologismo e a chantagem que dominam a classe política alagoana e, em particular, a Assembleia Legislativa, seja quem for o governador de plantão", observou.

Para o cientista político Eduardo Magalhães, também da Ufal, apesar dos indicadores dramáticos, Alagoas tem saída porque, graças ao ajuste fiscal do primeiro governo de Vilela, o Estado está mais organizado. Ele disse que o esforço fiscal de Vilela comoveu Lula. "É tanto o prestígio de Teo (Vilela) no governo federal que o apoio de Lula ao seu aliado (Ronaldo) Lessa (candidato do PDT derrotado) foi envergonhado e ele sequer veio a Alagoas", observou. "A grande madrinha de Lessa, a Dilma, sequer gravou mensagem de apoio."

Os fatos, segundo o cientista, deixam claro que Alagoas organizou-se do ponto de vista fiscal, a ponto de estar hoje atraindo empresas. Nos últimos dois anos, 42 tiveram licenciamento e estão em fase de instalação. É o caso do estaleiro, obra do PAC, cuja construção, no litoral sul do Estado, depende da última etapa burocrática.

A obra vai gerar milhares de empregos e desencadear uma nova matriz de desenvolvimento para competir com a saturada indústria sucroalcooleira, baseada na monocultura da cana.

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