Governador vê ação para ''dizimar a oposição''

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem haver uma "ação para dizimar a oposição" no País e negou que o PSDB passe por uma crise, apesar de o partido não ter conseguido fechar acordo para indicar o novo secretário-geral da legenda no Estado.

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

Com o impasse na convenção, a tarefa de definir a direção do partido em São Paulo foi adiada para quinta-feira. Foi eleito apenas o presidente tucano, deputado estadual Pedro Tobias, num acordo chancelado pelo governador, que previa a concessão da secretaria-geral para os deputados federais. O atual ocupante do cargo, César Gontijo, no entanto, não aceitou retirar a candidatura.

Depois de negociações permeadas por bate-bocas, a decisão foi postergada para evitar novo racha, como o da convenção municipal - quando a ausência de acordo deu argumento para seis vereadores paulistanos deixarem o PSDB.

Alckmin negou, porém, que o partido passe por um racha: "Tem crise porque um quer ser da Executiva, outro do diretório. Mas sempre foi assim", justificou. Depois atacou, sem citar nomes, os que "querem nos responsabilizar pela crise na oposição". "É inacreditável", completou.

Para uma plateia de 300 pessoas, na Assembleia paulista, o governador afirmou haver "uma ação para dizimar a oposição, destruir o DEM, enfraquecer o PPS e o PSDB, onde ele é mais forte, que é São Paulo". E completou: "E são os tucanos que não se entendem? É maquiavélico demais".

Na avaliação de Alckmin, não é fácil fazer oposição num País onde "sugam o aparelho do Estado como carrapatos grudados na máquina pública".

Alckmin chegou à convenção ao lado do ex-governador José Serra, que dirigia o próprio carro. Ambos procuraram mostrar unidade. "Falou mal do Serra, falou mal de mim", disse.

O ex-governador admitiu uma crise no PSDB, mas por razões distintas das disputas internas. "O problema não é disputa de diretório, atrito aqui ou acolá. A questão básica é honrar votos que o PSDB teve no Brasil inteiro."

Serra disse que falta o partido defender suas propostas. "Isso tem faltado", advertiu o tucano, para quem o PSDB não deveria perder tempo com "embates menores" e "antecipações irrealistas de 2014" e com a "lógica da futrica, que só serve aos adversários".

Sobre a criação do PSD, Serra afirmou que a nova legenda "não é inimiga do PSDB". Na mesma linha, o senador Aloysio Nunes Ferreira afirmou: "Ele é fundamentalmente do nosso campo".

Ao final, o deputado estadual João Caramez ameaçou entrar com pedido de impugnação da convenção. Ele alegou ter a indicação da base para compor o diretório, mas seu nome não constava da chapa eleita ontem.

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