Governadores inflam em 69% campanha pela reeleição

Alguns, como Ana Júlia e Anchieta Júnior, triplicaram suas estimativas em relação a 2006

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

As estimativas de gastos de campanha dos 18 governadores que vão tentar a reeleição somam R$ 376 milhões. O montante representa um crescimento real de 69% em comparação com o limite que haviam estabelecido para suas estruturas eleitorais no pleito de 2006: R$ 222,4 milhões - em valores corrigidos pelo IPCA, índice oficial de inflação.

Alguns governadores, no entanto, chegaram a triplicar suas estimativas de gasto. A petista Ana Júlia Carepa, que tenta a reeleição no Pará, lidera esse ranking. Em 2006, ela orçou sua campanha em R$ 12 milhões - em valores corrigidos. Agora, Ana Júlia estima gastar até R$ 40 milhões, aumento de 231%.

É o mesmo índice do governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB). Eleito vice em 2006, Anchieta assumiu o governo em dezembro do ano seguinte, quando o governador Ottomar Pinto morreu de enfarte. Na campanha de 2006, a dupla havia previsto gastos de R$ 6 milhões. Agora, Anchieta tenta a reeleição orçando sua campanha em R$ 20 milhões.

Roraima é o Estado em que o voto será, proporcionalmente, o mais caro do País. Conforme o Estado mostrou semana passada, os candidatos ao governo pretendem gastar o equivalente a R$ 116,72 por cada um dos 261.746 eleitores roraimenses.

Yeda Crusius (PSDB) do Rio Grande do Sul, Sérgio Cabral Filho (PMDB) do Rio de Janeiro e Eduardo Campos (PSB) de Pernambuco completam a lista de governadores que estabeleceram limites de gastos até 100% acima do que previsto em 2006.

A tucana estimou gastar R$ 8,8 milhões na primeira campanha ao Palácio Piratini. Desta vez, avalia que sua estrutura eleitoral deve consumir até R$ 23 milhões - aumento de 161% na comparação com a eleição passada.

Rio. Sérgio Cabral aumentou suas projeções de custos em proporções similares. O peemedebista, que teve sua tarefa facilitada depois da desistência de seu ex-aliado e atual inimigo político Anthony Garotinho (PR), informou que pode chegar a gastar R$ 25 milhões. O valor é 158,62% superior ao que orçou em 2006, quando se elegeu com apoio de Garotinho.

A estimativa de Eduardo Campos é de R$ 19,5 milhões. Pouco mais que o dobro dos R$ 9,66 milhões que ele pretendia gastar antes da eleição para o governo de Pernambuco em 2006.

Dos 18 governadores que tentam a reeleição, seis estão no poder há pouco mais de três meses. Eram os vices, que assumiram o cargo depois que os então governadores renunciaram para disputar o Senado na eleição de 2010.

Entre esses, está Silval Barbosa (PMDB), que assumiu Mato Grosso depois da renúncia de Blairo Maggi (PPS) - ele apresentou o maior aumento de previsão de gastos. Sua chapa com Maggi estimou gastar R$ 18,9 milhões em 2006. Agora, a previsão saltou para R$ 30 milhões.

Ainda entre os ex-vices que assumiram o governo, Antonio Anastasia (PSDB), de Minas Gerais, é o que apresenta o maior valor absoluto de previsão de gastos. O tucano que sucedeu a Aécio Neves estima gastar até R$ 35 milhões na campanha.

Justificativas. A assessoria de imprensa de Ana Júlia Carepa argumentou que o aumento da previsão de gastos ocorreu porque ela precisará ter uma estrutura de campanha maior, para não usar a máquina do Estado. A maior parte dos deslocamentos da candidata ocorrerá por avião, alegou a assessoria.

O secretário de comunicação de Roraima, Gustavo Abreu, argumentou que o valor estimado pelo governador José de Anchieta Júnior é apenas um teto. "Não quer dizer que ele vai gastar isso em campanha. É orçamentário, não é financeiro", argumentou.

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