Governo acerta agenda para ajudar Dilma

Lula e ministros têm anunciado decisões e lançado projetos que, na sequência, acabam sendo usados nos atos de campanha da candidata

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 00h00

À medida que a campanha avança, tem se intensificado a sintonia entre as agendas da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, Lula e os ministros têm tomado decisões e fomentado ações de olho na campanha da petista.

Foi assim no dia 27 de julho, quando o Palácio do Planalto recondicionou verbas e lançou o Pacote de Inovação Tecnológica. No dia seguinte, Dilma participou de reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Natal, onde falou de inovação tecnológica e faturou politicamente as propostas com o setor.

Com o fim da Copa do Mundo e a campanha oficial na rua, a agenda de Dilma com a do presidente Lula também passou a "coincidir". O exemplo mais recente ocorreu anteontem: Lula e Dilma foram ambos para Minas e acabaram a noite juntos em um comício no centro de Belo Horizonte.

Ontem, Dilma participou do seminário IV Brasil nos Trilhos, promovido pela Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, em Brasília. Lula também foi convidado, mas preferiu não ir ao encontro.

A candidata reagiu às críticas de existência de uma "operação casada". Para ela, não há motivos para se esconder dados positivos obtidos pelo atual governo durante o período que antecede as eleições.

"Não falar também não seria uso eleitoral?", indagou. "Tem alguma coisa errada em divulgar os dados se eles são bons para o país? Tudo que for positivo do governo é realização que eu tenho orgulho de ter participado."

Promessas. Diante de uma plateia repleta de empresários do setor, Dilma prometeu fazer a extensão da ferrovia Norte-Sul até Estrela D"Oeste, em São Paulo, e construir o trem-bala entre Campinas e Rio de Janeiro. Ambos são projetos iniciados no governo de Lula.

Dilma rebateu as críticas feitas pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ao trem-bala. Sem citar o nome de seu principal adversário, a petista garantiu que os consultores do Banco Mundial não consideram o projeto "desperdício de dinheiro".

Antes da palestra, Dilma negou que tivesse inflado os números de investimentos do governo Lula na área de saneamento, durante entrevista, na segunda-feira, ao Jornal Nacional, da Rede Globo. "No governo anterior, sabe quanto foi investido em saneamento no Brasil inteiro? Menos de R$ 300 milhões."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.