Governo ainda diverge sobre restrições

Zuanazzi, antes de deixar a Anac, admitiu que decisão era ?política?

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

Dois meses depois de estabelecerem restrições operacionais ao Aeroporto de Congonhas, as autoridades responsáveis pelo setor aéreo ainda divergem sobre quais os objetivos das medidas. Procurado, o Ministério da Defesa informou que não havia diretores disponíveis para dar entrevista. Informalmente, porém, a Assessoria de Imprensa alegou que a idéia era "desafogar o tráfego do aeroporto", referindo-se ao fim das conexões. Sobre a limitação das viagens a uma distância de mil quilômetros, a justificativa apresentada foi a segurança.O vice-presidente da TAM Paulo Castello Branco, diz, com certa ironia, desconhecer a justificativa das restrições. "Também estou querendo saber. Neste País, só se tira, não se leva nada. Não adianta tirar a conexão de Congonhas, se você não põe alternativa no lugar. Guarulhos está caminhando para a saturação. O grande gargalo é de infra-estrutura."Dois dias antes de renunciar ao cargo, o ex-presidente da Anac, Milton Zuanazzi conversou com o Estado e disse que o objetivo da restrição de mil quilômetros não era "desafogar Congonhas". Falou inicialmente que a medida envolvia uma questão de segurança, mas, em seguida, admitiu: "É uma decisão política do Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil)."Para o professor de Transporte Aéreo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Respício do Espírito Santo Junior, "a regra é inócua". "As companhias estão dentro da lei." Ele lembra uma disputa similar ocorrida na década de 70 com a companhia SouthWest, em Dallas (EUA). Para estimular o uso de um novo aeroporto fora da cidade, o governo limitou as operações da SouthWest em Love Field, aeroporto central. A companhia "quebrou" o vôo em duas etapas e passou a fazer conexões relâmpago. "A Suprema Corte deu ganho de causa para a SouthWest", diz Respício. "O mesmo aconteceria aqui."O próprio Rolim Amaro, fundador da TAM, forçou a abertura de Congonhas para vôos para outras capitais, aproveitando-se de brechas legais. Na década de 90, quando o aeroporto estava limitado à ponte aérea e a vôos para o interior, Rolim obteve vôos para Brasília, com escala em Ribeirão Preto.

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